O preço de muitos dos dispositivos que todos nós usamos poderá subir em 2026, porque o preço da memória RAM, que já foi um dos componentes mais baratos dos computadores, mais do que duplicou desde outubro de 2025.
Memória RAM (Random Access Memory ou Memória de Acesso Aleatório) é o armazenamento temporário de um dispositivo, onde são guardados os dados e instruções dos programas que estão em uso, permitindo acesso imediato pelo processador.
A tecnologia alimenta tudo, desde smartphones a smart TVs, bem como dispositivos médicos. O seu preço tem vindo a observar crescimento, com a explosão dos centros de dados que alimentam a IA, que também precisam desta memória.
A International Data Corporation, empresa global de pesquisa de mercado, informou, em Dezembro de 2025, que o mercado de smartphones deverá sofrer uma queda de 0,9% em 2026, em parte devido à escassez de memória.
No espaço de um ano, o preço de certos kits de memória para PC quadruplicou. Montar ou actualizar um computador é agora muito mais caro. E como os fabricantes têm de fazer face à redução dos stocks e das entregas, a inflação deverá em breve afectar também os aparelhos de consumo.
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O choque de preços afectará toda a cadeia electrónica, desde os PC, laptops até aos smartphones e às consolas de jogos. A AMD anunciou um aumento de 10% nas suas placas gráficas. A HP está a rever em baixa as suas configurações.
No entanto, numa primeira fase, serão provavelmente os smartphones e computadores de gama que serão vendidos a um preço mais elevado ou que terão menos memória. As marcas poderão também decidir fazer concessões ao nível da bateria, da câmara ou do ecrã destes modelos.
Os especialistas não prevêem estes aumentos de preços a partir do segundo trimestre de 2026, altura em que serão lançados os aparelhos. O pico está previsto para o final do ano, com uma inflação que se estende por um ano e meio.
Como hipótese está, portanto, um regresso gradual ao equilíbrio: a partir de 2028, se as novas infraestruturas entrarem em funcionamento, a oferta poderá aumentar e os preços estabilizar.
Para além desta hipótese, há uma mais radical, onde uma bolha de IA arrebenta na sequência de um investimento estratosférico sem retorno imediato. Nesse caso, a procura poderia cair vertiginosamente, levando a uma súbita deflação dos preços das memórias.
Fonte RTP





