A 10.ª edição do Africa Tech Summit London decorre a 29 de Maio de 2026, na Bolsa de Londres (London Stock Exchange). O evento reúne mais de 350 líderes, fundos de capital de risco, fintechs, startups e representantes da diáspora africana em torno de um objectivo comum: ligar o ecossistema tecnológico africano a capital internacional.
O Africa Tech Summit London é hoje um dos maiores encontros do género fora do continente. Mais de 200 empresas participam na edição deste ano e 13 startups africanas foram seleccionadas para o palco do Investment Showcase, depois de mais de 200 candidaturas.
O que é o Africa Tech Summit London
O Africa Tech Summit London nasceu há dez anos como ponte entre o ecossistema tech africano e os fundos europeus, asiáticos e americanos. O programa cobre keynotes, mesas-redondas, fireside chats e sessões temáticas focadas em:
- Fintech: pagamentos, crédito digital, stablecoins e inclusão financeira.
- Climate tech: soluções de adaptação e mitigação para o continente.
- Inteligência Artificial: aplicações em saúde, finanças e enterprise software.
- Infra-estrutura digital: conectividade, cloud e centros de dados.
- Scale-up growth: estratégias para acelerar a expansão regional e global.
Em paralelo decorre o Investment Showcase, um espaço dedicado em que as startups seleccionadas apresentam o seu negócio a investidores institucionais.
Os 50 oradores e quem está no palco
O painel de oradores junta mais de 50 nomes do ecossistema. Entre os destaques confirmados estão:
- Tokunboh Ishmael, da Alitheia Capital.
- Abi Ajayi, da London Stock Exchange.
- Tayo Oviosu, presidente executivo da Paga.
- Sir John Lazar, da Enza Capital.
- Steve Beck, da Novastar Ventures.
- Deepankar Rustagi, da OmniRetail Africa.
- Benjamen Oladokun e Sanmi Olukanmi, da Shekel Mobility.
O painel cobre todas as etapas do ecossistema: founders, fundos, reguladores e grandes corporates.
As 13 startups seleccionadas para o palco da Bolsa
O Investment Showcase é o palco onde as startups apresentam o seu pitch a investidores. A lista cobre fintech, healthtech, e-mobility, economia criativa, hospitality tech e enterprise software. Entre as 13 seleccionadas estão:
- Aktivate (Nigéria): sistema operativo para criadores africanos, com gestão de campanhas e pagamentos transfronteiriços.
- Bunce (Nigéria): personalização de relação com o cliente para negócios africanos.
- Reisty (Nigéria): software de gestão para restaurantes.
- Redbiller Technologies (Nigéria): infra-estrutura financeira para neobanks, fintechs e crypto exchanges.
- Scandium Systems (Nigéria): testes automatizados com IA para equipas de software.
- UltraPay (Nigéria): plataforma multi-activos para pagamentos em crypto, acções e moeda fiat.
- 10mg Health (Reino Unido / com operação africana): crédito embutido para clínicas e farmácias, com underwriting por IA.
- Workspace Global Ltd (Gana): plataforma por subscrição para produção criativa de empresas em crescimento.
- Zynta: infra-estrutura B2B regulada de stablecoins para pagamentos last-mile em África.
Os founders vêm da Nigéria, Gana, Togo, França, Reino Unido e do continente em geral. Oito das 13 são nigerianas, espelhando o domínio do ecossistema mais maduro de África.
Onde está Moçambique
Não há startup moçambicana entre as 13 seleccionadas. O quadro é consistente com a lista 25 African Startups to Watch in 2026 da Bloomberg, publicada na semana anterior, onde Moçambique também não aparece. Os indicadores que pesam — traction regional, captação internacional, scale — continuam a favorecer Nigéria, África do Sul, Quénia, Egipto e Gana.
A leitura prática para o ecossistema moçambicano é dupla: por um lado, fica claro o que falta para chegar ao palco da Bolsa de Londres; por outro, o evento abre acesso a uma rede de fundos e parceiros estratégicos que algumas startups moçambicanas podem usar mesmo sem estarem entre as seleccionadas.
Fontes: Africa Tech Summit London — site oficial, TechCabal, Zawya, TechRound, FurtherAfrica.



