Ecossistema é a designação utilizada para referir um conjunto de comunidades que vivem em um determinado local e interagem entre si e com o meio em que estão inseridos, garantindo a construção plena de um sistema estável, equilibrado e auto suficiente para todos que nele íntegram.
Da definição biológica, um ecossistema é composto por factores bióticos que são os seres vivos do sistema, e factores abióticos que são as partes sem vida, ou seja, onde os seres vivos actuam.
Aliando-se ao significado que a palavra ecossistema carrega, mais termos surgiram e com o suporte desta palavra designam uma dada comunidade ou grupo, caso do termo ecossistema de tecnologia.
Ecossistemas de tecnologia podem ser definidos como ambientes que são criados para a promoção e evolução da própria tecnologia num dado local através de articulações entre diferentes actores, criando-se espaços favoráveis para tal com objectivo de garantir desenvolvimento social e econômico.
Em Moçambique, o ecossistema da tecnologia é marcado pela criação de comunidades que apoiam a inovação e talentos emergentes dando-lhes a possibilidade de desenvolvimento ao nível pessoal e de carreira.
A verdade é que não se pode falar do ecossistema da tecnologia em Moçambique sem citar nomes como Daniel David, Guidione Machava, Fei Manheche, Dário Mungoi, pois estes, redefiniram e continuam redefinindo o sistema da tecnologia em Moçambique, no entanto, há mais nomes que também merecem o seu destaque neste contexto. Alguns da mesma época que os já aqui citados, e outros que vem mostrando o seu valor nos dias actuais, seja com estabelecimento de comunidades ou da sua influência no ramo em que actua.
Nesta onda, escolhemos 10 para dar destaque e evidenciar o papel dos mesmos enquanto arquitectos do ecossistema da tecnologia em Moçambique.
Alfredo Cuanda destaca-se na construção de um ecossistema favorável em Moçambique através da ajuda a criadores emergentes, desde empreendedores e organizações com apresentação de soluções que possibilitam um alto crescimento. Algo que se espelhou com a fundação anos atrás do Ideário, um espaço virado para a aceleração de pequenos negócios.
O impacto do empreendedor Frederico Silva, actualmente CEO da Talento Moçambique e cofundador da UX, assenta no lançamento de startups ou plataformas de carácter social na busca por resolução de problemas das comunidades locais, caso da plataformas emprego.co.mz, o maior portal de emprego de Moçambique; Biscate, serviço de procura de contactos de profissionais nas áreas de serralharia, manutenção de frio, construção e reparação, carpintaria, etc.
Durante os últimos anos Frederico vem defendendo a tecnologia como catalisador do desenvolvimento em Moçambique, participando como orador no WorldBank GPSA (Washington D.C.), Afrobytes em Paris, S4YE (Washington D.C.), ICT4D (Nairobi), Stimulus African Entrepreneurship Symposium (Harare), TEDx, GIST.
José Leopoldo Nhampossa é o fundador e Investigador Principal do Programa UEM-MOASIS, docente e ex-Director do Registo Académico da UEM e Director Administrativo para a área de tecnologia e inovação do Parque de Ciências e Tecnologias de Maluana.
A sua experiência caracteriza-se pela elaboração, planificação estratégica e desenho de arquitecturas empresariais para organizações, e com o desenvolvimento, implantação, manutenção e gestão de sistemas de informação, exemplo do SISMA (MISAU), SIGA (UEM) e Sistema de Registo Civil e Estatísticas Vitais.
Nelio Macombo é Gestor de Produtos com paixão em partilhar soluções com impacto local. Foi presidente da maior comunidade de desenvolvedores em Moçambique, MozDevz.
A sua colaboração estende-se nas áreas de Fintech, Telecom, EdTech, Scrappy startups e Nonprofits através do desenvolvimento e implementação de soluções de base tecnológica, gestão de produtos digitais e capacitação de jovens talentos.
Co-fundou, recentemente, a Paymentsds, primeira iniciativa Open-Source moçambicana que simplifica a integração a serviços de pagamentos como o M-Pesa.
Erick Kande é formado em informática e tem no seu DNA habilidades de formar equipas com forte impacto no ramo que actua, sendo que do seu portfólio esteve em frente da gestão de equipas e de projectos, organizando vários hackathons, codelabs, networkings e outros eventos que favoreceram a evolução da tecnologia em Moçambique.
Do seu trabalho, destaca-se a organização “África Android Challenge” e da fundação do Mozapp Valley, uma comunidade que tinha por objectivo utilização das TIC para desenvolver o país através da capacitação, trabalho espiritual e partilha de conhecimentos.
Tiago Coelho é empreendedor e designer de serviços para plataformas digitais com impacto social. A sua carreira começou em 1998 quando se juntou à equipa de desenvolvimento web do primeiro ISP Moçambicano, a Tropical Net.
Depois de vários projectos como consola.org e outrandom.com, em 2013 co-fundou a UX Information Technologies, empresa Moçambicana de desenvolvimento de plataformas digitais com impacto social como é o caso do emprego.co.mz, biscate.co.mz, mopa.co.mz, e soma.co.mz. Thiago foi também embaixador do Seedstars Maputo, uma das maiores competições de empreendedorismo que o país já viu.
Olímpio Adolfo, conhecido na tecnologia como Oly, é um técnico experiente com uma história na indústria das tecnologias marcado pelo suporte e colaboração na organização de eventos como workshops, palestras, hackathons de apresentação de soluções para problemas reais, como também para partilha de conhecimentos em tecnologia.
Após acompanhar de perto o lançamento de várias comunidades, em 2021 resolveu co-fundar a Maputo Front Enders, uma comunidade de desenvolvedores frontend em Moçambique.
Osvaldo Maria é actualmente Software Engineer na Factorial HR, em Barcelona, Espanha.
A sua contribuição vem desde a co-fundação da GDG Maputo, uma comunidade de desenvolvedores aberto para entusiastas em tecnologias da Google, que tem por objectivo disseminar o conhecimento em tópicos como Android, Chrome, HTML5, Cloud, APIs, UI/UX e outros, além de apoiar iniciativas que visam o maior engajamento da comunidade.
Através da GDG Maputo, representou o país, como palestrante, nos Estados Unidos de América no Global GDG Leads Summit.
Miwanda Lainissi destaca-se pela sua paixão pelo empoderamento das mulheres e raparigas para estar no ambiente da tecnologia, numa busca pela criação de um ambiente em que as mesmas possam descobrir-se e desenvolver as suas habilidades.
Aliando a esta paixão, fundou em 2017 a Muthiana Code, uma comunidade dedicada à inserção, formação e suporte das mulheres empreendedoras, jovens e adolescentes na área de tecnologia de informação.
Com formação tecnológica, conta com uma experiência em análise de negócios e QA e foi embaixadora da África Code Week, e da Orange Corners Maputo, e é Tedx Speaker.
Após a primeira liderança da Maputo Frontenders (Olímpio Adolfo), chegou a vez, neste ano, da comunidade ainda em fase de crescimento ser comandada por uma voz feminina, neste caso a Wak’Oleva Maia.
Através da sua direção, Wake ajuda com a organização e direção de eventos que impulsionam o crescimento e fortalecimento da comunidade de desenvolvedores frontend.
Foi coordenadora de TI do Parque Industrial de Beluluane e actualmente actua como coordenadora do Desenvolvimento de aplicações Web na Vodacom, onde recentemente foi mentora do Code Like A Girl, um programa virado para fortificação do posicionamento das mulheres na tecnologia. É formada em Informática de Sistemas.
Fora desta lista está também, por referenciar nomes como Paulo Phagula, Sinésio Paco, José Machava, Elder Chamba, Luis Neves, Mário Júnior, Romildo Cumbe, Americo Chaquisse, Rúben Manhiça, Ahmed Varzina, Osvaldo Cossa, dentre outros arquitectos que terão o merecido destaque.




