O cientista moçambicano Alexandre de Fátima Cobre foi distinguido como um dos dez melhores jovens cientistas do mundo pelo Prémio Internacional UNESCO-Al Fozan 2025, numa competição global que reuniu investigadores de todos os continentes.
A nomeação reconhece as suas contribuições durante o doutoramento no Brasil na área de Inteligência Artificial (IA) aplicada à saúde, com especial enfoque na descoberta e no reposicionamento de fármacos.
“Este reconhecimento é ainda mais significativo porque competi com cientistas de todo o mundo com mais de uma década de experiência, enquanto eu ainda terminava o meu PhD”, escreveu Alexandre de Fátima Cobre no seu Facebook.
Da Pandemia à Tese Premiada
No auge da pandemia de Covid-19, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) mobilizava especialistas de todo o mundo para enfrentar o vírus, Alexandre integrou a corrida científica contra o “vírus” desconhecido. Entre 2020 e 2021, contribuiu com artigos científicos sobre Covid-19 utilizando IA em exames de rotina de baixo custo, trabalho reconhecido pela OMS como referência oficial no combate à pandemia.
“Pesquisar uma doença nova, com informações surgindo a cada dia, foi extremamente desafiador. Acompanhávamos milhares de publicações diárias, e era preciso identificar rapidamente lacunas de conhecimento para direccionar a pesquisa”, conta em entrevista à Ciência UPFR.
A jornada resultou na sua tese de doutoramento, que propõe uma abordagem multidisciplinar no diagnóstico e na terapêutica da Covid-19. Um trabalho que recebeu menção honrosa do Prémio CAPES de Tese 2025, considerado o maior prémio nacional da ciência brasileira, pela inovação em IA para descoberta de fármacos e diagnóstico.
Com o uso da inteligência artificial (IA) e machine learning foi possível analisar uma enorme quantidade de dados, algo impossível de fazer manualmente. Por exemplo, conseguimos estudar padrões em testes laboratoriais, informações clínicas e dados epidemiológicos de milhares de pacientes em tempo real.
“Além disso, a IA nos ajudou a identificar biomarcadores importantes, ou seja, sinais químicos no corpo que indicam como a doença progride, e a descobrir medicamentos com potencial de tratamento”, conta.
O cientista acredita que sem essas ferramentas, a velocidade e a complexidade da pandemia teriam tornado nosso trabalho muito mais lento e limitado.
Não obstante não ter alcançado o pódio no prémio da UNESCO, Alexandre considera a distinção uma conquista histórica para o país. “Saindo de um contexto simples em Moçambique, o mundo científico global também tem espaço para nós”, afirmou, encarando o reconhecimento não como um ponto de chegada, mas como prova do que é possível atingir.
Além da investigação académica, Alexandre fundou a MozBioMed.AI, empresa de investigação em IA sediada em Inglaterra, que emprega actualmente oito moçambicanos na produção local de inteligência artificial. A empresa é também responsável pelo produto Muzi, plataforma que utiliza IA para facilitar o acesso de moçambicanos a medicamentos.
Para além de fundar a MozBioMed, Alexandre de Fátima Cobre é investigador moçambicano especializado em Inteligência Artificial aplicada à saúde, com foco em descoberta e reposicionamento de fármacos, doutor pela Universidade de São Paulo (Brasil) e detentor do UK Global Talent Visa.
Fonte Integrity Magazine





