Docentes pedem proibição do uso de Inteligência Artificial nas universidades

ChatGPT

Cerca de 30 docentes de várias universidades portuguesas alertam, num manifesto, para os riscos do uso de ferramentas de Inteligência Artificial generativa no ensino superior, para acabar com o “dilúvio digital” que converte os estudantes em “cretinos digitais” com “muito pouca curiosidade intelectual”.

Em carta, sustentada com vários estudos e relatórios internacionais, docentes de várias instituições defendem que é preciso “humanizar o ensino” e banir a IA das universidades e politécnicos, uma escolha que reconhecem como “a mais difícil e também a mais urgente”. 

“Se queremos preservar autonomia e integridade, independência e liberdade nos planos intelectual, científico e cultural, e assim contrariar a trajetória de empobrecimento cognitivo e emocional em curso, temos de ser capazes de resistir coletivamente ao avanço imparável desta nova economia política geradora de sofisticados regimes de servidão digital”, consideram os subscritores do manifesto, citado no Jornal Notícias.

Os professores enumeram os principais desafios que a tecnologia traz aos estudantes, aos professores e ao ensino. Na opinião dos autores do texto, a IA transforma os alunos em “cretinos digitais” e rouba-lhes “esforço, trabalho e dedicação” sob um “espesso manto de ignorância, facilitismo, desonestidade intelectual, copianço e rapidez”. 

Outras notícias para ler:


Segundo os autores, o recurso à IA por parte dos alunos obriga os professores a regressarem a instrumentos de avaliação que “vinham sendo abandonados no contexto da progressiva valorização de formas de ensino centradas nos estudantes”, como os testes de escolha múltipla.

Os docentes consideram também que a tecnologia em causa empobrece “a nossa capacidade de pensar e transformar o Mundo”. “Quando a organização do seu funcionamento é reduzida ao absurdo dos rankings, factores de impacto e indexações, até se pode publicar cada vez mais, mas questiona-se cada vez menos”, afirmam.

A carta termina com o apelo: “Se existem ainda preocupações genuínas com o futuro dos estudantes, mas também de professores e instituições, o caminho, estreito e não isento de riscos, tem de passar necessariamente pela suspensão generalizada do uso deste tipo de ferramentas nos processos de ensino-aprendizagem”.

Fonte Jornal Notícias

Related Posts

Subscreva-se à nossa newsletter. Fique por dentro da tecnologia!

Total
0
Share