Cerca de 10 000 escritores juntaram-se em protesto contra o uso não autorizado das suas obras por empresas de inteligência artificial, através do lançamento do romance vazio, com o título Don’t Steal This Book, “não roube este livro”, em tradução para português.
A obra reúne nomes como o Nobel da Literatura Kazuo Ishiguro e os consagrados Philippa Gregory e Richard Osman, num movimento que é parte de um conflito mais amplo entre a indústria criativa e as grandes empresas de tecnologia.
O romance “vazio” está na base do protesto, que está a ser realizado na London Book Fair (LBF), no Reino Unido, num stand com vista para o evento.
O livro apresenta os nomes de todos os autores, num total de quase 10 000, e tem 88 páginas, seguidas de uma série de páginas em branco, que, segundo o organizador do protesto, Ed Newton-Rex, simbolizam o futuro da escrita de romances se os modelos de inteligência artificial de grande escala continuarem a copiar o seu trabalho.
Algumas cópias do livro foram distribuídas pela LBF antes de um importante relatório do governo britânico sobre o impacto económico da IA no Reino Unido, previsto para a próxima semana.
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“Estamos a lançar este livro de protesto”, disse Newton-Rex, fundador da IA ética Fairly Trained. “É da autoria de 10 000 autores e está totalmente vazio, excepto pela lista de nomes dos autores no final, que tem 88 páginas. Estamos todos a protestar contra o roubo dos nossos livros por empresas de IA para treinar os seus modelos.”
A obra é também uma exortação ao governo do Reino Unido a não legalizar essa exploração massiva, o que, segundo os autores, o mesmo considera fazer.
Obras protegidas por direitos de autor, como livros obtidos da internet, estão entre os extensos dados usados pela IA generativa para desenvolver ferramentas como chatbots.
Isso levou a dezenas de processos judiciais movidos por autores e editoras nos últimos anos. Em 2025, a Anthropic, empresa líder em IA por detrás do chatbot Claude, concordou em celebrar um acordo extrajudicial de 1,1 mil milhões de euros numa acção colectiva movida por autores de livros que alegavam que a startup usou cópias pirateadas das suas obras para treinar o seu produto.
Fonte Deadline Independent





