No último domingo, uma reportagem do Jornal Domingo viralizou nas redes sociais sob o título “Melhor Estudante de Engenharia Elétrica vende batata e cebola no mercado”.
A protagonista é Mércia Fanheiro, recém-licenciada em Engenharia Elétrica pela Universidade Politécnica e distinguida como a melhor estudante do curso. A notícia gerou um amplo debate sobre a fragilidade da empregabilidade e a falta de investimento em talentos no país, com muitos internautas apontando o caso como um reflexo desta realidade.
Neste debate, o engenheiro moçambicano Gonçalves Cuna trouxe o seu posicionamento, questionando o espanto e a crítica generalizada com a seguinte indagação: “Desde quando um engenheiro perde o direito de empreender fora da sua formação académica?”.
Para Cuna, a engenharia não deve ser vista apenas como um cargo, mas sim como uma forma de pensar e de aplicar soluções. Em sua análise, o caso de Mércia representa precisamente a aplicação da engenharia a um contexto diferente – o moçambicano.
“Quem vende batata também: gere stock, analisa preços e procura, otimiza custos, assume risco. Isso também é engenharia, aplicada a um contexto diferente”, escreveu Gonçalves Cuna no seu LinkedIn.
Gonçalves Cuna ressalta que, no atual contexto económico do país, diversificar rendimentos não constitui um fracasso, mas sim um sinal de inteligência económica e capacidade de adaptação ao mercado.
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O engenheiro defende ainda que “O problema não está na engenheira. Está no preconceito que hierarquiza profissões e insiste em ligar dignidade apenas ao emprego formal. Eu sou o exemplo claro desta dinâmica”.
Para Cuna, a formação académica não limita as possibilidades, mas sim as amplia, e que “Empreender, seja onde for, continua a ser trabalho digno”.
Mércia Fanheiro, que foi distinguida como a melhor estudante do curso e recebeu um prémio monetário, revelou na reportagem que a venda de produtos alimentares no mercado surgiu como uma forma de se manter ativa e evitar o desgaste emocional provocado pelo desemprego prolongado após a conclusão do curso.
Fonte Gonçalves Cuna





