Ed. 43 Descarrega a nova edição da revista →
ED. 39 Descarrega a nova edição da revista

Grécia Proíbe Redes Sociais para Menores de 15 a Partir de 2027


Atenas torna-se o primeiro Estado da UE a definir limite de idade obrigatório. O modelo poderá expandir-se.

Grécia Proíbe Redes Sociais para Menores de 15 a Partir de 2027

Atenas torna-se o primeiro Estado da UE a definir limite de idade obrigatório. O modelo poderá expandir-se.

A Grécia avançou, em Abril, com legislação que proíbe o registo em redes sociais para menores de 15 anos a partir de 2027. Verificação obrigatória de idade por sistema estatal. Multas que podem ascender a 4% do volume de negócios global das plataformas que falhem na fiscalização. É a primeira legislação europeia desta natureza com aplicação prática real.

A discussão na UE existe há anos. A Grécia foi o primeiro Estado a pôr a caneta no papel. Espera-se que Espanha, Itália, França e Portugal sigam em 2027-2028.

Redes sociais para menores: o que Diz a Lei

A legislação proíbe todas as redes sociais com componente social significativa, Instagram, TikTok, Snapchat, X, Facebook, Threads, BeReal, e similares, para utilizadores com menos de 15 anos. O YouTube continua permitido, com restrições de algoritmo personalizado. WhatsApp, por ser primariamente serviço de mensagens, está fora do âmbito.

A verificação é a parte difícil. Como confirmar idade sem violar privacidade? A solução grega passa por identificador digital estatal, cada cidadão tem credencial digital que confirma idade sem revelar identidade. O modelo é semelhante ao eId estoniano.

Os Argumentos a Favor

A evidência sobre efeitos negativos das redes sociais em adolescentes acumulou-se nos últimos cinco anos. Estudos do The Lancet, da Academia Americana de Pediatria, e do próprio livro “The Anxious Generation” de Jonathan Haidt apontam para correlações fortes entre uso intensivo de redes sociais antes dos 16 anos e ansiedade, depressão, distúrbios do sono e auto-imagem corporal negativa.

Os legisladores gregos foram explícitos: “Não vamos esperar mais dez anos para reagir a uma crise de saúde mental adolescente que já está em curso”. A medida é proteccionista, e admite-o.

Os Argumentos Contra

Os críticos apontam três problemas. Impraticabilidade técnica: verificar idade sem comprometer privacidade é tecnicamente difícil. Sistemas baseados em reconhecimento facial são intrusivos. Sistemas baseados em identidade digital pressupõem que todos têm essa identidade, o que não é verdade para todos os adolescentes.

Eficácia limitada: adolescentes que querem aceder às redes sociais encontrarão formas. VPNs, contas dos pais, contas falsas. A lei pode criar falsa sensação de segurança sem efeito real.

Externalidades: jovens que não podem aceder a redes sociais também não podem aceder a conteúdo educativo, comunidades de apoio (LGBT, doenças raras, saúde mental), e ferramentas profissionais (jovens músicos, designers, criadores).

O Modelo Poderá Expandir-se

Em África, nenhuma jurisdição tem ainda lei equivalente, mas o debate começa a aparecer. Pediatras em Maputo e em Luanda relatam, em conversa privada, aumento significativo nos últimos três anos de consultas relacionadas com uso intensivo de TikTok e Instagram. Os dados estatísticos sistemáticos não existem, mas a impressão clínica é consistente.

Em África, contudo, há uma diferença importante: o uso de redes sociais por adolescentes é frequentemente facilitador económico (jovens empreendedores que vendem online, fazem comércio P2P, oferecem serviços de design). Proibir aos 15 pode ser mais prejudicial do que proteger, em contextos de elevado desemprego.

“A lei grega é a primeira de uma série. A pergunta não é se a moda chega. É como se adapta, e a quem ouvimos para a moldar aos contextos africanos.”

Edição 43

Última edição da revista — Edição 43

Download PDF
3.600.000+ pessoas alcançadas por ano
1.000.000+ buscas no Google por ano
500.000+ leituras por ano
14.000+ seguidores no LinkedIn

Subscreva-se à nossa newsletter. Fique por dentro da tecnologia!