fbpx

Moçambicano participa no desenvolvimento do jogo Call of Duty

A Activision apresentou recentemente, mais uma versão do seu game/jogo Call of Duty: Modern Warfare II, e desta vez, conta com a participação nos testes e desenvolvimento do moçambicano João Filipe Papel, formado em Engenharia Informática e actualmente no Japão a fazer Doutoramento em Ciências e Tecnologia de Informação.

Tudo iniciou-se numa brincadeira. O João estava de férias quando de repente recebeu uma notificação do LinkedIn a dizer que a LionBridge anunciou uma vaga de emprego e que a mesma combinava com as suas qualificações, ao que decidiu candidatar-se. Passado 4 dias, recebeu um e-mail da Gerente dos Recursos Humanos para uma entrevista.

Durante a entrevista, foi-lhe revelado que estava acima da média do pessoal que ia ocupar a mesma posição em termos académicos e o perguntaram que posição gostaria de ocupar dentro da LionBridge. 

A escolha foi Project Manager, mas por não poder estar a tempo inteiro devido a sua condição de estudante, não teria como ocupar a posição de Project Manager naquele momento, ao que o combinado foi a posição de QA Software Engineer e que depois passaria para Product Owner e futuramente Project Manager. Até aqui, o João não fazia nenhuma ideia de que ia estar envolvido num projecto da Activision.

Com a assinatura do contrato, ficou a saber que estaria a trabalhar no projeto Detroit code nome do projecto Modern Warfare II.

A LionBridge é uma das muitas outras empresas que está por detrás do Jogo, e no caso do João Papel o seu trabalho esteve mais conectado com a equipe da Activision responsável pela versão PC e Xbox do jogo, e uma vez a outra também trabalhava com a equipe responsável pela versão do jogo para as consolas da Sony.

“No início foi estranho, pois fui o primeiro Moçambicano a trabalhar na divisão de games na LionBridge, e na Detroit era o único Moçambicano e Africano. Quando cheguei senti-me um bocado intimidado pois apesar de ser uma equipa multicultural (tínhamos Americanos, Holandeses, Australianos, Russos, e muitas outras nacionalidades) sentia-me um bocado acanhado quando perguntavam de que país eu era e eu respondia Moçambique. O pessoal ficava tipo Moçambique, onde é que fica isso e tal? E sem contar que sentia um ar de “desconfiança”, não me refiro a discriminação mas um ar do tipo será que este vai aguentar com a nossa pedalada…”

Entre dúvidas e intimidação, no seu primeiro dia de trabalho foi capaz de identificar alguns aspectos no jogo que precisavam de ser melhorados “os meus colegas não me levaram a sério, ficaram do tipo este gajo chegou hoje e já acha que pode ter identificado aspectos importantes que precisam de atenção? Uma das minhas colegas até disse-me que eles timham levado dias para perceber como o jogo devia funcionar. Como é que no meu primeiro dia ia identificar aspectos relevantes?”, conta.

No terceiro dia as coisas começaram a mudar, devido a performance que teve nos dois primeiros dias. Rapidamente, foi transferido para outra equipa pelo seu Project Manager. Juntou-se a uma que decidiu reestruturar a forma como tudo funcionava e que veio a resultar num alto desempenho, o que fez com que recebessem a visita de um dos top seniores managers da Activision, concretamente do Chris Clark, Director of Quality Assurance Operations, para dar os parabéns pessoalmente pelo trabalho que a estavam desenvolver.

“Embora fôssemos 4 equipas a trabalhar no mesmo projecto, existia um espírito de competitividade no sentido de que cada uma queria ter a melhor performance no final do dia. Eu acabei por descobrir que tinha um talento nato para uma determinada área e focava-me nela, essa foi uma das estratégias que a minha equipa adoptou, dar a liberdade a cada um de focar-se em apenas uma área e que a mesma fosse escolhida por vontade própria. Na minha área os meus colegas sabiam que podiam contar comigo. Tive um reconhecimento especial quando o pessoal da Activision começou a fazer pedidos direcionados à mim”. 

João Papel

Papel destaca ainda a existência de muitos moçambicanos que com certeza possuem habilidades idênticas e o único impasse possa aqui ser oportunidades. E deixa ficar alguns nomes: Nélio Macombo (Product Manager na Vodacom), Bento Francisco (Product Owner na Vodacom), Stélio Bernardo, Adilson Mandlate, entre outros.

É licenciado pela Faculdade de Engenharia da UEM, onde recebeu o prémio de melhor estudante no final do Curso.

É mestrado pela Handong Global University, Universidade da Coreia do Sul, na área Master Of Science in ICT Convergence. 

É embaixador da Handong Global University para Moçambique, foi secretário financeiro da Comunidade Africana na Handong Global University, voluntário numa Organização Não Governamental sediada no Kenya, e é o primeiro e único Africano até ao momento que participou da Northeast Asia Young Leaders Forum e conseguiu ficar em primeiro lugar na competição de melhor plano de negócios.

Actualmente está a fazer o seu Doutoramento em Information Science and Technology, no Japão, onde é presidente da AEMOJA (Associação dos Estudantes Moçambicanos no Japão),  Senior Adviser na Scholars 2 Scholars- uma associação de aproximadamente 500 jovens que ajudam outros jovens moçambicanos a concorrer a bolsas de estudos, e já teve a oportunidade de fazer um estágio na Japan Space Systems, onde com o recurso a tecnologia GIS e utilizando imagens de satélite identificou uma zona de garimpo ilegal.

Conta com uma formação intensiva no Brasil, feita em 2015, no Centro de Estudos Avançados do Recife (Formação em Prática de Negócios, Desenvolvimento de Software, Teste e Design).

O seu primeiro artigo de Doutoramento já foi aceite pelo Institute Of Electronics, Information and Communication Engineers Of Japan e será publicado em Abril do próximo ano intitulado “Home Activity Recognition by Sounds Of Daily Life Using Improved Feature Extraction Method”, ou seja, desenvolveu um dispositivo capaz de identificar que actividade uma pessoa está realizar numa residência. Utilizando sensores de som e machine learning.

Neste momento está a preparar o seu segundo artigo científico que faz parte de uma pesquisa que é financiada pela Mitsubishi e será apresentado numa conferência internacional próximo ano a ter lugar em Paris.

Em Moçambique, trabalhou no desenvolvimento do sistema de gestão de instituições do ensino técnico profissional (GovEnsino); no Sistema de Gestão de Reuniões do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional (GovReunião); foi Monitor na Faculdade de Engenharia da UEM (2013-2015).

Estagiou no Parque de Ciências e Tecnologia de Maluana aquando do término da sua licenciatura em Engenharia Informática e vê o parque como sendo “uma mina de Ouro que não está a ser explorada no mundo dod jogos”. Após a sua experiência na LionBridge apercebeu-se que o Parque de Maluana tem as características e requisitos necessários para receber projectos similares aos quais esteve envolvido.

Da sua caminhada em Moçambique, destaca como mentores Eng. Lourino Chemane (actual PCA do INTIC), a Eng. Ludmila Maguni (Actual Secretária de Estado da Província de Inhambane), professor Jorge Nhambiu (Ex-Ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional).

“Aprendi muito com estes profissionais e com outros que não vou mencionar porque teríamos uma lista enorme”.

Kabum_Digital_-_Revista_banner_para_o_site
Artigos relacionados

Subscreva-se à nossa newsletter. Fique por dentro da tecnologia!

Total
0
Share