O país dá passos concretos para regulamentar e orientar o uso da IA, e o sector financeiro está no centro desse processo.
No segundo dia da sétima edição da Semana Fintech Moçambique, o presidente do conselho de administração do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Lourino Chemane, apresentou um quadro detalhado do que o país já fez e do que está a caminho em matéria de inteligência artificial (IA) e o impacto esperado na área financeira.
Na sua apresentação, anunciou a criação da Comissão Nacional de Inteligência Artificial, que busca enquadrar Moçambique na corrida pelo domínio e uso eficiente desta tecnologia.
Olhando para a perspectiva de inclusão financeira, Lourino Chemane defendeu que a inteligência artificial não deve ser vista como uma ameaça ao sector financeiro, mas como “uma aliada poderosa”.
Para o INTIC, a IA tem aplicações concretas e imediatas no sector financeiro moçambicano, como na rápida detecção de fraudes, personalização de produtos como crédito, poupança e seguros, e automação de processos internos que consomem tempo e recursos.
“A inteligência artificial deve ser vista não como uma ameaça, mas como uma aliada poderosa, deve ser usada para expandir a mente humana, aumentar a produtividade científica e melhorar a qualidade de vida”, disse.
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Os riscos que não podem ser ignorados
Lourino Chemane foi igualmente claro ao afirmar que a adopção da IA no sector financeiro expõe instituições e cidadãos a vulnerabilidades reais: ataques de segurança cibernética mais sofisticados, uso indevido de dados pessoais, e decisões automatizadas que podem ser discriminatórias se os algoritmos não forem auditados.
Daí a necessidade, sublinhada ao longo da apresentação, de um quadro regulatório robusto, com legislação de protecção de dados, princípios éticos integrados no design dos sistemas, e mecanismos de supervisão que permitam ao Estado e aos reguladores sectoriais, incluindo o Banco de Moçambique, acompanhar e fiscalizar o uso da IA nas finanças.
A Semana das Fintechs de Moçambique prossegue até quinta-feira, com sessões diárias, contando com a participação de mais especialistas do sector financeiro para debater os principais desenvolvimentos na transformação do mesmo.





