Worldcoin, novo projecto do criador de ChatGPT, Sam Altman, suspendeu as suas actividades no Quênia após ordem de reguladores locais, dentro dos motivos está a privacidade dos dados.
Fundada pelo empresário de tecnologia norte-americano Sam Altman, a Worldcoin oferece tokens de criptomoeda de forma gratuita para pessoas que concordam em submeter um escaneamento de suas íris (parte mais visível e colorida do olho).
Desde o seu lançamento, vários cidadãos quenianos têm aguardado nas filas nos centros de registro para adquirir a moeda, avaliada em cerca de 49 Dólares (3 mil Meticais).
O governo do Quênia emitiu um alerta aos cidadãos, incentivando cautela ao compartilhar informações com empresas privadas.
Em um comunicado divulgado pela Autoridade das Comunicações do Quênia, destacaram-se como preocupações: O armazenamento de dados biométricos, a oferta de dinheiro em troca de informações e a concentração excessiva de dados nas mãos de uma entidade privada.
O Ministério do Interior do Quênia deu início a uma investigação sobre a Worldcoin, instando as agências de segurança e proteção de dados a avaliarem a legitimidade e legalidade do projeto.
Em uma declaração, a equipe da Worldcoin manifestou intenção de implementar medidas de controle de multidões e colaborar com o governo antes de retomar suas actividades. A empresa assegura estar em conformidade com as regulamentações quenianas.
Num dos centros de registro em Nairobi, a capital do país, centenas de pessoas aguardavam na fila para se registrar. No entanto, na quarta-feira, muitos foram impedidos de participar do processo devido à classificação da grande multidão como um “risco de segurança”.
Uma dos quenianos (Webster Musa) entrevistadas pela BBC compartilhou que está há quase três dias para se registrar. Pretende-se registar para ter como pagar as suas contas, uma vez que está desempregado e com dificuldades financeiras.
A Worldcoin não divulgou o número de indivíduos que tiveram suas íris digitalizadas no Quênia. Alega estar estabelecendo uma nova “rede financeira e de identidade” global.
“Estamos construindo a maior rede global de identidade e finanças como um serviço público, dando a todos a propriedade. Isso garante acesso universal à economia global, independentemente do país ou origem”, afirma um comunicado no site da Worldcoin.
Para Sam Altman, a esperança é que a iniciativa ajude a distinguir humanos de robôs. Também menciona que essa empreitada poderá contribuir para a implementação de uma renda básica universal, embora os detalhes dessa possibilidade permaneçam incertos.
Segundo a empresa, nenhum dado é retido. Porém, para os especialistas em privacidade, há preocupação com o facto de as informações sensíveis recolhidas através do scanner da íris podem acabar em mãos não autorizadas.
Neste sentido, o Escritório do Comissário de Proteção de Dados (ODPC) no Quênia aconselhou o público a ter mais cautela ao usar o Worldcoin, enfatizando que a Worldcoin carece de regulamentação naquele país.
De acordo com a legislação queniana, os indivíduos têm o direito de impedir a recolha ou divulgação desnecessária de dados pessoais.
Quénia é o primeiro país a testar a Worldcoin, segundo a empresa, escolheu o país como o seu local de lançamento inicial em África devido à próspera paisagem tecnológica e à presença de mais de quatro milhões de quenianos já envolvidos no comércio de criptografia.
A plataforma também foi introduzida em vários países, como Indonésia, França, Japão, Alemanha, Espanha e Reino Unido. As autoridades responsáveis pela supervisão de dados em algumas nações já revelaram sua intenção de examinar a Worldcoin.
A solução está também a ser alvo de investigações no Reino Unido e França sobre questões de privacidade de dados de utilizadores.
Fonte BBC




