A GSMA estima que existem atualmente 5 mil milhões de telemóveis abandonados nas casas e nos escritórios das pessoas que, se fossem devidamente reciclados, poderiam recuperar 8 mil milhões de dólares em ouro, paládio, prata, cobre, elementos de terras raras e outros minerais essenciais.
A GSMA é uma associação internacional que representa os interesses de mais de 750 operadores e fabricantes de telefonia móvel de 220 países do mundo. A organização foi formada em 1995 como a “GSM MoU Association” para apoiar e promover os operadores móveis que usam o padrão GSM, criado no intuito de oferecer tecnologia digital para redes celulares.
Com vista dar um novo rumo para este cenário, uma dúzia de operadores móveis subscreveu os objectivos de reutilização e reciclagem de dispositivos estabelecidos pela GSMA, o interesse foi apresentado numa altura em que a associação industrial estimava que 8 mil milhões de dólares de materiais valiosos estavam presos em aparelhos abandonados em todo o mundo.
Segundo a própria GSMA, com a coleta de todos esses celulares seria possível a recuperação de 50.000 toneladas de cobre, 500 toneladas de prata e 100 toneladas de ouro. Com estes dados, estima-se que haveria cobalto (metal) suficiente para 10 milhões de baterias de carros eléctricos.
Os dados apontam que as pessoas tendem a não perceber que todos esses itens aparentemente insignificantes têm muito valor e, juntos, em nível global, representam volumes enormes.
Há em todo o mundo 16 bilhões de telefones celulares em todo o mundo, e só na Europa, quase um terço não está mais em uso.
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A iniciativa introduz objectivos com a definição de um ritmo para os que apoiam o esquema, parte de uma ambição mais vasta de desenvolver uma cadeia de fornecimento circular para dispositivos móveis.
Até 2030, os sistemas de “retoma” dos operadores devem acumular mais de 20% do número de aparelhos novos que vendem aos clientes.
Com a iniciativa, os dispositivos de segunda mão aqui mencionados, devem ser reparados, reutilizados ou transferidos para organizações de reciclagem controladas, e assim, evitar que os telemóveis acabem em aterros sanitários.
A segunda é evitar que os telemóveis acabem em aterros sanitários e tentar garantir que, até 2030, 100% dos telemóveis recuperados com programas de reciclagem sejam reparados, reutilizados ou enviados para organizações de reciclagem.
Para além da reparação, nos planos de reciclagem massiva, uma das iniciativas é promover programas de reciclagem ou devolução para que as pessoas não os deixem na gaveta ou joguem no lixo.
Junto da GSMA, estão as empresas de telefonia como Tele2 Group e a Orange, com a adesão do BT Group, Globe Telecom, GO Malta, Iliad Group, KDDI, NOS, Proximus, Safaricom, Singtel e Telefonica.
Com a união das operadoras tem por objectivo, juntos, e através dessa iniciativa, aplicar uma rapidez na redução do lixo eletrónico e melhorar a longevidade dos aparelhos.
Segundo John Giusti, diretor da GSMA, para além dos benefícios ambientais, uma utilização mais eficiente e responsável dos recursos poderia reduzir os custos e tornar os dispositivos mais acessíveis para as pessoas sem ligação à Internet”.
Já o diretor de sustentabilidade da Tele2, Erik Wottrich, citado pelo site de notícias Mobile World Live, sublinha que “a quantidade crescente de resíduos electrónicos, incluindo telemóveis, que é gerada todos os anos não é apenas um desafio ambiental para a nossa indústria, mas também uma enorme perda de potencial valor financeiro”.
“Como os benefícios ambientais e comerciais da implementação de um modelo de negócio circular são claros, espero que muitos mais operadores em todo o mundo se juntem a nós na ambição de zero resíduos e de uma maior taxa de retoma até 2030”, revela Erick Wottrich.
Fonte Mobile World Live BBC




