A conectividade em Moçambique ainda é uma realidade que não chega a metade da população. No ano passado, o país vivenciou momentos que minaram o seu crescimento digital.
Entre esses momentos, destacam-se a subida dos preços dos serviços de dados, voz e mensagens, bem como as restrições de Internet nos últimos meses do ano em questão.
No caso da subida dos preços, esta teve lugar em Maio e, segundo a Autoridade Reguladora das Comunicações (INCM), visava salvaguardar o sistema de comunicações no país para que este não colapsasse.
A situação levou a que mais de 500 jovens saíssem às ruas de Maputo em protesto contra o aumento das tarifas, concretamente da Internet. Posteriormente, houve um “reajuste” das tarifas.
No que diz respeito às restrições, estas aconteceram durante a tensão pós-eleitoral que se viveu no país, onde a Internet serviu como ponte para a comunicação das manifestações que contestavam os resultados proclamados pela Comissão Nacional de Eleições.
Até à data dos acontecimentos, 23% dos mais de 30 milhões de moçambicanos tinham acesso à Internet. Mas, depois disso, como está a situação da conectividade no país?
Um milhão de moçambicanos ficaram sem acesso à Internet
De acordo com o último relatório do Data Reportal, plataforma que fornece estatísticas globais sobre o uso da Internet, redes sociais, dispositivos móveis e comportamento digital, Moçambique registou uma queda no número de utilizadores de Internet.
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Até 2024, contabilizava-se que havia 7,96 milhões de utilizadores de Internet em Moçambique, altura em que a penetração da Internet era de 23,2%. Agora, no início de 2025, apenas 6,96 milhões têm acesso à Internet, o que representa 19,8% da população.
Com estes dados, verifica-se que a taxa de penetração da Internet ainda é relativamente baixa, indicando desafios na infra-estrutura digital e no acesso à conectividade.
Aumento significativo de utilizadores de redes sociais
O maior crescimento está nas redes sociais, onde se passou para 3,7 milhões de utilizadores em Moçambique, o que corresponde a 10,5% da população total.
O crescimento expressivo foi de 15,6%, com um acréscimo de 500 mil pessoas a acederem às várias redes sociais existentes, indicando que as redes sociais estão a tornar-se cada vez mais relevantes no quotidiano dos moçambicanos.
Mais de 17 milhões de conexões móveis no país
Em termos de conexões móveis, o país regista um total de 17,7 milhões de conexões móveis, o que equivale a 50,4% da população. O percentual sugere que uma parte significativa dos habitantes pode possuir mais de um cartão SIM, indicando um uso múltiplo de dispositivos ou serviços.
No entanto, em comparação com o ano anterior, houve uma ligeira redução de 0,2%, correspondente a 43 mil conexões a menos.
Posição de Moçambique nos PALOP
A nível dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), Moçambique aparece em segundo lugar, com Angola a liderar, com 17 milhões de utilizadores.
Segue-se, depois de Moçambique, a Guiné Equatorial, com 1,16 milhões, e Cabo Verde, com 387 mil. A Guiné-Bissau apresenta 723 mil utilizadores, enquanto São Tomé e Príncipe regista 140 mil.
A subida dos preços dos serviços e as restrições impostas no ano passado evidenciam a necessidade de investimentos em infra-estrutura digital e políticas públicas que possam proteger os utilizadores da Internet. Caso contrário, muitos ficarão para trás na era da transformação digital.



