Os africanos mais influentes na Inteligência Artificial

Chinasa T. Okolo, uma das jovens africanas influentes na tecnologia
Chinasa T. Okolo, uma das jovens africanas influentes na tecnologia

A revista americana TIME divulgou a lista das 100 pessoas mais influentes em Inteligência Artificial (IA) para 2024, com realce para os pioneiros e inovadores que estão a transformar várias áreas com o uso da IA.

A lista deste ano traz o reconhecimento de individualidades pelos seus esforços para garantir que a IA tenha uma natureza equilibrada e igualitária, marcada pela intenção de formulação de políticas que evitem potenciais ameaças decorrentes da implantação de sistemas de inteligência artificial.

“O nosso objectivo ao criar a TIME100 AI é colocar líderes como Pichai e Whittaker em diálogo e abrir os seus pontos de vista aos leitores da TIME”,

lê-se na publicação oficial da revista sobre a lista deste ano.

A lista abrange dezenas de empresas, regiões e perspectivas, incluindo três inovadores/líderes africanos, cujas contribuições asseguram que esta solução seja ética, benéfica e justa para todos. A seguir, destacam-se estes três pioneiros:

Chinasa T. Okolo

Chinasa Okolo é uma cientista da computação nigeriana-americana e bolsista da Brookings Institution. Defende a adopção responsável da tecnologia, centrada no ser humano, nas economias de dados, no desenvolvimento africano e na saúde global. A promoção das suas ideias faz-se através da advocacia política, palestras públicas e publicação de artigos de investigação.

Okolo contribuiu para moldar a estratégia da União Africana para a adopção responsável de IA, bem como a estratégia nacional de IA da Nigéria. Para Okolo, quando bem usada, a IA pode trazer ao continente africano benefícios como a detecção de inundações e a monitorização de doenças.

“Fiz a transição para a IA porque vi como as técnicas computacionais podiam fazer avançar a investigação biomédica e democratizar o acesso aos cuidados de saúde para as comunidades marginalizadas”,

explica, citada pelo Business Day.

Mophat Okinyi

Mophat Okinyi, ex-moderador de conteúdo do Quénia, ajudou a tornar o ChatGPT um sucesso. 

O seu trabalho consistia em ler e rotular milhares de descrições de conteúdos tóxicos, como abuso sexual de crianças e sexo com animais, para informar um algoritmo que ajudaria a detectar o tipo de coisas que o ChatGPT não deveria dizer.

Okinyi, opondo-se ao ambiente de trabalho e à compensação que considerou injusta, fundou o Content Moderators Union, o primeiro sindicato dedicado a proteger os direitos dos trabalhadores de dados de IA em África.

“O maior problema é que os trabalhadores não estão informados sobre os seus direitos. Podem ser facilmente explorados. É por isso que estamos a tentar dar-lhes algum tipo de formação”, explica.

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Para potenciar essa iniciativa, Okinyi fundou, separadamente, uma ONG chamada Techworker Community África, que educa os trabalhadores e estudantes africanos de IA sobre os seus direitos, para que evitem contratos precários de curto prazo e defende melhores salários e apoio à saúde mental.

Kauna Malgwi

Tal como Okinyi, Kauna Malgwi é uma ex-moderadora de conteúdo na Nigéria, mas para o Facebook, onde visualizava vídeos de atrocidades de guerra, violações e suicídios, a fim de os remover da plataforma. 

O seu trabalho ajudou a empresa-mãe do Facebook, a Meta, a treinar os seus sistemas de IA para detectar conteúdos semelhantes no futuro.

Actualmente, lidera a secção da Nigéria do Sindicato dos Moderadores de Conteúdos, onde considera que a sua responsabilidade é garantir que os jovens conheçam os seus direitos ao inscrever-se para trabalhar em empresas de tecnologia. 

Acredita ser uma tarefa vital, já que as empresas estão agora a procurar contratar em jurisdições fora do Quénia para a moderação de conteúdos, devido aos desafios legais naquele país para melhores condições de trabalho.

“O medo de ser despedido só por levantar preocupações começa a desaparecer, porque as pessoas estão a tomar consciência de que têm direitos enquanto trabalhadores”,

afirmou Malgwi.

Estes três nomes estão em destaque como representantes de vários outros africanos que estão a expandir os limites da política de IA, com a defesa de boas condições para aqueles que lidam com a IA.

A lista deste ano também incluiu exemplos das possibilidades da IA quando esta sai do laboratório e entra no mundo, com o potencial de melhorar a forma como vivemos e trabalhamos. 

A primeira edição do TIME100 AI foi lançada em Setembro do ano passado, e a revista conseguiu reunir membros desta lista em São Francisco e no Dubai.

Fonte Time AI

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