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Qualcomm Make in Africa: 10 startups selecionadas para a 4.ª edição

Programa de aceleração da Qualcomm escolhe dez startups africanas para a sua quarta edição, num sinal de que as grandes tecnológicas globais estão a estruturar presença no continente.

 

A Qualcomm anunciou as 10 startups seleccionadas para a 4.ª edição do programa Make in Africa. Trata-se da sua iniciativa de aceleração dedicada ao ecossistema tecnológico africano. Além disso, o programa oferece mentoria técnica, acesso a tecnologia Qualcomm e exposição a investidores internacionais.

De resto, a chamada recebeu candidaturas de várias dezenas de países do continente. Esta procura reflecte, sobretudo, o interesse crescente das grandes tecnológicas globais pelo mercado africano. Por outro lado, a edição confirma uma trajectória de consolidação iniciada em 2022. Nessa altura, a multinacional decidiu apostar de forma estruturada em África, percebendo que o continente já não é apenas uma promessa demográfica.

África como espaço de inovação, e não apenas como mercado

O Make in Africa ilustra, na verdade, uma tendência crescente. As grandes tecnológicas não olham apenas para África como mercado consumidor. Pelo contrário, vêem o continente também como espaço de produção de inovação.

Por isso, programas como este criam pontes entre talento local e infraestrutura global. Em muitos casos, podem ser decisivos para que startups africanas atinjam escala internacional. Além do mais, esta mudança de paradigma é importante porque, durante décadas, o continente foi tratado como destino final de tecnologia produzida fora. Agora, a nova geração de aceleradoras coloca os fundadores africanos no centro da equação.

Tecnologias emergentes aplicadas a problemas reais

A selecção valoriza, em primeiro lugar, empresas que aplicam tecnologias emergentes a problemas reais do continente. Entre elas, destacam se Inteligência Artificial, IoT, conectividade 5G e edge computing. Por sua vez, as áreas de actuação vão da saúde à agricultura, passando pela mobilidade e pela inclusão financeira.

Adicionalmente, as startups escolhidas terão acesso ao ecossistema Qualcomm de chips e plataformas de desenvolvimento. O foco está, claramente, em soluções pensadas para os contextos africanos. Entre os critérios de avaliação, a Qualcomm valoriza não só a qualidade técnica, mas também o impacto social. Igualmente importante é a capacidade de escalar para mercados vizinhos, num continente em que a fragmentação regulatória continua a travar muitas empresas.

Mentoria, capital e credibilidade

A componente de mentoria é, talvez, o aspecto mais valioso do programa. Durante vários meses, as startups recebem acompanhamento de engenheiros, executivos e especialistas em produto. Assim, beneficiam de uma rede que dificilmente conseguiriam construir sozinhas.

Esta transferência de conhecimento é, sobretudo, relevante em hardware, semicondutores e conectividade avançada. Nestas áreas, o ecossistema africano ainda apresenta lacunas significativas de competências. Além disso, para muitas equipas, o programa funciona como selo de credibilidade. Em consequência, abre portas a investidores que dificilmente olhariam para projectos sediados em mercados periféricos.

E onde fica Moçambique nesta conversa?

Para Moçambique, o sinal mantém se igual ao das edições anteriores. Por um lado, existe espaço para startups locais nestes programas. Por outro, é preciso candidatar se. Até agora, a presença moçambicana em programas continentais de aceleração permanece tímida.

Por isso, este é um dos pontos que o ecossistema nacional terá de melhorar nos próximos anos. Caso contrário, dificilmente o país participará nas conversas onde se decide o futuro tecnológico de África. Em boa verdade, faltam estruturas intermédias capazes de preparar os fundadores moçambicanos para competir em chamadas internacionais. Entre essas estruturas, contam se o apoio à elaboração de candidaturas, o treino em comunicação executiva e a ligação a redes de mentores experientes.

Ainda assim, há motivos para algum optimismo. As universidades produzem mais talento técnico, as comunidades de programadores ganham consistência e surgem novas iniciativas locais de incubação. Em última análise, cabe ao sector privado, em articulação com instituições públicas e parceiros internacionais, criar condições para que as startups moçambicanas apostem em programas como o Make in Africa.

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