Jovem usa telemóvel para gravar seu novo filme

Bomani Filme

Na falta de condições financeiras para uma alta produção, o jovem moçambicano e estudante finalista da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Elvis João Jucundo, recorreu a um telemóvel para a produção do seu novo filme, intitulado “Bomani”.

Com estreia marcada para 18 e 25 de Novembro, para a produção do filme, Elvis recorreu ao iPhone 8 Plus, smartphone premium da Apple, lançado em 2017, que conta com uma câmera Primária de 12 Megapixels, gravação de vídeo 2160p e uma capacidade de armazenamento que varia de 64/256 gigas.

Através do BOMANI,  que significa “Guerreiro”. O filme retrata a história de um jovem e guerreiro africano (John Bomani) escolhido por Olorum (criador do universo) para ser o guardião da África. Com poderes sobrenaturais, John enfrenta o estigma de ter sido acusado de bruxaria e expulso da sua aldeia quando jovem, porém, há uma missão que deve cumprir para proteger África e seu povo.

O filme gira em torno do estereótipo implantado na sociedade que assume que “Homem não chora!”, descrevendo que não é bem assim. Descrevendo que a corrida do jovem Bomani será repleta de dor e escuridão, enquanto carrega a maldição de perder aqueles que ama, mas sempre tendo que levantar e priorizar o bem estar dos outros mais do que o seu.

“BOMANI é um espelho da imensa pressão sobre os homens para serem fortes e esconderem as suas vulnerabilidades, como se costuma dizer, Homem não chora”. 

Aqui, Elvis conta que na maioria das vezes, a pressão social para que homem não chore, resulta no final do dia em taxas alarmantemente de suicídio entre os homens, simplesmente devido ao fardo emocional imposto pela sociedade desde a infância até à fase adulta. 

“Por debaixo da máscara da masculinidade, John Bomani lembra-nos que todos, independentemente do gênero, partilham a capacidade de sentir medo, dor e fragilidade. É uma recordação comovente de que a humanidade partilha emoções universais”, conta.

O motivo pelo qual decidi realizar este filme é o mesmo que aquando da produção de outros filmes: Expressar o meus sentimentos, aquilo que não consigo dizer às pessoas através de palavras, sou homem e cresci a ouvir que homem não chora, esta foi a forma de mostrar que choro sim.

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Fora questões financeiras, com a produção do filme através de um telemóvel, Elvis procura também acredita que este dispositivos, com atenção aos modelos recentes, dão uma boa melhor qualidade de imagem que quando bem explorado não se nota a diferença do equipamento utilizado.

Sem nenhuma formação e actuação na área cinematográfica, acredita que tudo que sabe é resultado de um dom natural passado a si por Deus. 

“Não tenho nenhuma formação em cinema, nem na atuação nem na cinematografia. Tudo que sei foi de aprendizado próprio e graças a Deus o dom nato.

Elvis

Já vem actuando na área como actor, realizador, diretor de fotografia, produtor, roteirista, editor e estudante finalista do curso de Engenharia e Gestão Industrial na UEM.

O Cinema está muito fechado

Em análise ao cinema moçambicano, Elvis acredita que este está muito fechado. É caracterizado por uma monotonia, onde, “quem tem condições faz as mesmas histórias, da mesma forma e com as mesmas pessoas”, disse. 

“Um ciclo vicioso, e quando aparece alguém a tentar fazer diferente existe aquele espírito de desanimar, criticar e não acolhem”.

Seguir a carreira como cineasta implicou lidar com vários medos que o fizeram perder várias chances na vida, porém, resolveu deixar esses medos de lado e começar a carreira e enfrentar quaisquer obstáculos. Foi assim que decidiu avançar com o que tem e lançar seu primeiro filme. 

Para Elvis, cinema é arte, através do qual consegue expressar os seus sentimentos e desabafar com o público. “é aí onde consigo dizer o que não consigo falar para as pessoas. O meu diário”, conta. 

Entre os pontos marcantes da sua carreira está a aprovação para participar no seriado “A Influencer” da televisão nacional Maningue Magic e estar a passos largos de lançar o meu primeiro longa-metragem. 

É inspirado por actores como Ryan Reynolds, Denzel Washington e Matthew McConaughey, realizadores Christopher Nolan, Carlos Noronha e Michael Bay. 

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