Fase piloto decorre até 15 de Maio em seis localidades, de Inhambane a Niassa.
Seis localidades, três operadores, uma missão
O piloto abrange seis localidades distribuídas por cinco províncias: Quissico Sede (Inhambane), Ntemangau e Cachembe Sede (Tete), Muirrua (Zambézia), Nacala-a-Velha Sede (Nampula) e Chissimbire (Niassa). A escolha não foi aleatória, são zonas onde a cobertura é fragmentada e onde a população sofre mais com a ausência de rede. Nesta fase, os serviços abrangidos são voz e SMS; os dados móveis ficam para uma fase posterior.
A Tmcel, a Vodacom Moçambique e a Movitel estão envolvidas no processo, sendo que durante o piloto a INCM e os operadores irão monitorizar a qualidade do serviço e a interoperabilidade entre redes. Um dos desafios técnicos é garantir que a transição entre redes seja transparente para o utilizador, sem chamadas caídas ou atrasos perceptíveis. Outro desafio é comercial: como serão partilhadas as receitas entre o operador do utilizador e o operador que fornece a rede?
Roaming nacional: impacto potencial
O roaming nacional não é uma ideia nova no mundo, países como a Índia, o Brasil e vários estados europeus já implementaram modelos semelhantes. Mas em África, onde os custos de infraestrutura são elevados e as margens dos operadores são reduzidas, a partilha de rede representa uma solução pragmática para expandir a cobertura sem duplicar investimento.
Se a implementação for bem-sucedida, Moçambique poderá posicionar-se como referência regional em soluções regulatórias para a expansão de conectividade com menor custo e maior rapidez. O benefício mais imediato será sentido pelas comunidades rurais, onde a cobertura de um único operador pode significar a diferença entre ter ou não acesso a serviços essenciais como banca móvel, informação de saúde e comunicação com famílias distantes.
Num país onde a cobertura móvel ainda não é uniforme, o roaming nacional pode ser o empurrão que faltava para ligar as comunidades mais remotas ao mundo digital. A fase piloto termina a 15 de Maio, e os resultados determinarão se Moçambique avança para a implementação nacional.



