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UEM Inaugura Laboratório de Robótica e Inteligência Artificial


Nova infra-estrutura da UEM integra robótica, IA e metodologias STEM. Programa MozSkills já capacitou mais de 200 formadores; Reitor consolida directrizes para uso responsável da IA.

UEM Inaugura Laboratório de Robótica e Inteligência Artificial

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) inaugurou, a 12 de Agosto, um novo Laboratório de Robótica e Inteligência Artificial, baptizado Sala do Futuro, uma infra-estrutura pensada para transformar as práticas de ensino e aprendizagem, aproximar estudantes e docentes das tecnologias emergentes e reforçar a capacidade da instituição para produzir conhecimento e soluções tecnológicas em Moçambique. O anúncio foi feito pelo Reitor Manuel Guilherme Júnior, que aproveitou a ocasião para revelar que a Universidade está a consolidar directrizes para o uso responsável da IA no ensino, aprendizagem, investigação e gestão académica.

Robótica, IA e um stack pedagógico ao serviço do país

O laboratório está sediado na Faculdade de Ciências e integra laboratórios móveis de ciências, kits de robótica, computadores, recursos digitais, um painel interactivo para apresentação de conteúdos e um estúdio de vídeo para produção de materiais educativos. Deste modo, o espaço deixa de funcionar como sala tradicional e passa a operar como um verdadeiro stack pedagógico em que estudantes e docentes desenvolvem protótipos, experimentam programação, testam sistemas robóticos e criam recursos digitais multidisciplinares. É esta cadeia completa, do hardware ao conteúdo, que a UEM quer democratizar internamente.

Para o Reitor, o novo Laboratório de Robótica e IA deve ser visto como parte de um ecossistema tecnológico mais amplo. Recentemente, a UEM inaugurou também o seu Centro de Dados, que assegura infra-estrutura para armazenar, processar e proteger informação, e mantém em funcionamento o Laboratório de Automação da Faculdade de Engenharia, dedicado à concepção e ensaio de sistemas. Em conjunto, as três infra-estruturas formam um ecossistema que permite investigação multidisciplinar, criação de soluções tecnológicas locais e produção de conteúdos digitais, todos alinhados com o Master Plan de Transformação Digital da instituição.

No plano ético, o Reitor sublinhou que as futuras orientações da UEM sobre IA assentam em pilares como transparência, protecção de dados, integridade académica, supervisão humana e pensamento crítico. Convém sublinhar que a experimentação, na visão da instituição, é uma componente central da ciência: permite formular perguntas, testar hipóteses e transformar conhecimento científico em inovação. É por essa via que uma universidade passa de “predominantemente de ensino” a produtora de soluções.

Mais de 200 formadores preparados e kits para escolas

O projecto foi financiado pelo Ministério da Educação e Cultura, com fundos do Banco Mundial através do Programa de Capacitação de Formadores de Professores em STEM, integrado no Projecto MozSkills. O coordenador da Sala do Futuro e do MozSkills, Calisto Guambe, avançou que o programa já permitiu a revisão curricular de vários cursos das Faculdades de Ciências e Engenharia, incorporando abordagens STEM e reforçando a ligação entre teoria, prática e inovação.

Adicionalmente, foram capacitados mais de 200 formadores, oriundos da própria UEM, do ensino secundário, dos Institutos de Formação de Professores e das instituições de Ensino Técnico-Profissional da província e cidade de Maputo. O impacto pretendido ultrapassa os muros da Universidade: os formadores treinados vão replicar os conhecimentos nas suas próprias escolas, e durante a cerimónia foram entregues kits de ciências e robótica a instituições beneficiárias, incluindo escolas secundárias parceiras. Como observou Calado Muianga, representante da Direcção Nacional do Ensino Superior, não se trata de uma simples sala equipada, mas de um ecossistema pedagógico em que a teoria ganha vida através de painéis interactivos e IA integrada.

Para o país, o efeito prático materializa-se a médio prazo. Ao formar formadores, distribuir kits a escolas e articular Laboratório de Robótica, Centro de Dados e Laboratório de Automação numa mesma cadeia, a UEM cria condições para que o talento moçambicano em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática deixe de depender exclusivamente de recursos externos. É este o passo que separa uma universidade que fala de transformação digital de uma que a executa, e que fará dela, a prazo, o principal motor de investigação e inovação tecnológica no país.

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