Nova etiqueta “AI Persona” promete mais transparência sobre a autenticidade dos artistas na plataforma.
O Spotify vai começar a identificar os artistas cuja identidade pública foi criada por inteligência artificial. A nova etiqueta chama-se “AI Persona” e marca os perfis de cantores e bandas que, na prática, não correspondem a pessoas reais. A medida surge numa altura em que a IA generativa ganha espaço na produção musical e levanta dúvidas sobre quem está, de facto, por trás das músicas.
Como funciona a etiqueta AI Persona
No Spotify for Artists, a plataforma que os músicos e as suas equipas usam para gerir os perfis, os próprios criadores podem declarar que o seu perfil é uma “AI Persona”. No entanto, o Spotify não vai depender apenas desta autodeclaração.
A empresa também vai analisar perfis à procura de sinais de identidades artificiais. Por exemplo, um nome, uma fotografia ou outros elementos públicos que indiquem tratar-se de uma personagem fotorrealista criada por IA.
Fora das recomendações
A consequência mais relevante tem a ver com a visibilidade. As músicas de perfis classificados como AI Persona deixam de aparecer nas recomendações editoriais e algorítmicas da plataforma, como as playlists criadas pela equipa do Spotify ou as sugestões personalizadas.
Com esta decisão, o Spotify quer dar prioridade aos artistas reais que constroem uma carreira na música. Para muitos músicos, as recomendações são uma das principais formas de chegar a novos ouvintes. Por isso, a exclusão tem um efeito directo no alcance destes perfis.
Direito de contestação
Segundo a empresa, os artistas sinalizados pela equipa de revisão recebem uma notificação. A partir daí, podem aceitar a classificação ou contestá-la. Além disso, os utilizadores também podem denunciar perfis que considerem identidades criadas por IA. Assim, a verificação passa a contar com a participação de quem ouve música na plataforma.
O contexto: mais música feita por IA
A pressão sobre as plataformas de streaming tem crescido. Em 2025, a francesa Deezer revelou que cerca de 18% das músicas carregadas diariamente no seu serviço eram totalmente geradas por IA. No mesmo ano, a banda The Velvet Sundown chegou a mais de um milhão de ouvintes mensais no Spotify antes de se confirmar que era um projecto criado com inteligência artificial.
Casos como este expuseram um problema concreto: o ouvinte nem sempre sabe se está a ouvir uma pessoa ou um sistema de IA. Ao mesmo tempo, os artistas humanos passam a disputar atenção e receitas com um volume crescente de conteúdo automático.
Uma peça num esforço maior
A etiqueta AI Persona, com lançamento previsto para meados de Setembro, junta-se a outras ferramentas do Spotify para mostrar a origem dos conteúdos. Entre elas estão o “Verified by Spotify”, o “SongDNA” e os “AI Credits”, que permitem indicar quando e como a IA foi usada numa música.
A eficácia da medida vai depender da capacidade do Spotify de detectar perfis que não se declarem como artificiais. Ainda assim, a etiqueta dá aos ouvintes uma informação que até agora não tinham: saber se o artista que estão a ouvir existe.
Fonte: Engadget

