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Adilson Muffins: Como um jovem designer transforma ideias em produtos.


Aos 21 anos, Adilson Mufume acumula funções de UI/UX Designer na Pay Tesy e Director Criativo da TIKA, plataforma moçambicana de descoberta de eventos.

Adilson Muffins: Como um jovem designer transforma ideias em produtos.

Adilson Mufume, mais conhecido como Adilson Muffins, tem 21 anos, é natural de Vilanculos e hoje vive em Maputo. Trabalha sobretudo em criação de conteúdo digital, mas é também UI/UX Designer, designer gráfico e desenvolvedor web. Actualmente ocupa o cargo de UI/UX Designer na Pay Tesy e de Director Criativo da TIKA, plataforma moçambicana focada em descoberta de eventos e bilhética.

“Sempre gostei de comunicar ideias de uma forma simples e visual”, conta. “Isso é ainda mais importante quando criamos para o público moçambicano, porque nem toda a gente está familiarizada com tecnologia. Por isso, tento sempre evitar complicar uma mensagem quando ela pode ser explicada de forma simples.” No UI/UX segue a mesma lógica: mesmo que algo seja complexo por trás, para quem está a usar deve parecer simples e natural.

Um percurso construído por curiosidade

A jornada profissional de Adilson começou pela curiosidade. Antes de pensar em design ou criação de conteúdo como profissão, já queria perceber como as coisas eram feitas. Aplicações, designs, conteúdos que via na internet, electrónica — tudo o que tivesse ligação com tecnologia despertava o seu interesse.

“O meu primeiro passo foi começar a aprender sozinho. Passei muito tempo no YouTube a ver tutoriais, conhecer ferramentas e tentar reproduzir aquilo que via”, recorda. “Não comecei já com a ideia de construir uma carreira, queria simplesmente aprender a fazer.”

Foi assim que entrou primeiro no design gráfico. Depois, à medida que ia descobrindo outras áreas, começou a interessar-se por UI/UX. A criação de conteúdo apareceu ainda mais tarde, quando percebeu que não bastava saber fazer uma coisa: era preciso também saber apresentá-la e comunicar a ideia de uma forma que as pessoas conseguissem perceber. Com o tempo, deixou de apenas consumir informação e começou a criar os seus próprios projectos.

Processo criativo: da ideia ao produto

Adilson descreve a área que escolheu como “um lugar onde consegui juntar várias coisas de que gostava: criatividade, comunicação, tecnologia e resolução de problemas”. Foi ao começar a criar as suas próprias coisas, e não apenas a consumir conteúdo, que percebeu que queria seguir por este caminho.

Trabalhar numa área criativa e digital em Moçambique tem, para Adilson, uma característica específica: obriga a pensar constantemente no público local. “Aqui não basta olhar para o que está a ser feito lá fora e fazer igual. Muitas vezes tenho de pensar: será que isto vai ser entendido aqui? Será que faz sentido para as pessoas que vão consumir este conteúdo ou usar este produto?” É um desafio que, garante, é também aquilo que mais o motiva.

TIKA: o projecto que mais o orgulha

O projecto de que Adilson mais se orgulha é a TIKA. “A ideia começou muito por ouvirmos coisas como: ‘se eu soubesse daquele evento, teria ido’ ou pessoas que estavam numa cidade e simplesmente não sabiam onde sair, o que estava a acontecer ou onde podiam se divertir.” Foi aí que a equipa percebeu que havia um problema real na forma como as pessoas descobrem eventos e experiências à sua volta.

Como Director Criativo, Adilson está ligado ao design, ao produto, à comunicação, aos conteúdos e à forma como a marca se apresenta. “O que mais me orgulha é ver uma ideia que começou de um problema tão simples e comum transformar-se num produto real, que já está disponível e que ainda tem muito espaço para crescer.” O objectivo declarado é tornar a TIKA “na maior plataforma de eventos e bilhética do país, presente em todo o território nacional”.

Ferramentas: Figma, CapCut e Inteligência Artificial

No dia-a-dia, o Figma é a ferramenta central para praticamente tudo o que envolve design, desde interfaces até flyers, branding e peças visuais. Para edição de vídeo, recorre ao CapCut, que descreve como “muito prática para o tipo de conteúdo que faço”.

Um capítulo à parte é o uso de inteligência artificial. Adilson usa ChatGPT para organizar ideias, trabalhar textos e gerar imagens, e recorre também a Claude, Gemini e outras ferramentas consoante a tarefa. “A tecnologia diminuiu muito a distância entre aquilo que imagino e aquilo que consigo criar”, resume. Antes, podia ter uma imagem na cabeça e ser difícil chegar a ela; hoje consegue testar conceitos e visualizar uma ideia antes mesmo de começar a produzir o conteúdo.

Um conselho para quem está a começar

Quando lhe perguntam o que aconselharia a alguém a iniciar-se no design ou na criação de conteúdo, a resposta é directa: aprende, cria e publica os teus projectos. “Não adianta saber fazer e ninguém saber que tu sabes. Quem não é visto também não é encontrado. Principalmente num país onde há muita dificuldade de emprego, mostrar o teu trabalho pode abrir portas.”

Adilson conta que ele próprio começou sem ter tudo aquilo que achava que precisava: não tinha o melhor equipamento, não dominava todas as ferramentas e nem sempre havia alguém por perto para o orientar. Aprendeu a errar, pesquisar e tentar outra vez. “Se esperasse até me sentir totalmente pronto, provavelmente nunca iria começar”, resume. “Então comecei a trabalhar com aquilo que tinha.”

O que vem a seguir

Neste momento, o foco de Adilson está em continuar a fazer crescer a TIKA e a alargar o seu trabalho em criação de conteúdo, sem abandonar novos projectos ligados ao design e à tecnologia. “Acredito muito no que ainda podemos construir com a TIKA em Moçambique”, diz.

É esse cruzamento entre criação de conteúdo, design e tecnologia que define, no essencial, o percurso de Adilson Mufume. Um percurso que começou no YouTube, se estendeu à direcção criativa de uma startup moçambicana e continua, por decisão do próprio, a acumular experiência através daquilo que efectivamente publica.

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