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André Tenreiro Cria go.mz para Facilitar a Partilha de Links


go.mz é o novo serviço criado por André Tenreiro para encurtar links, criar páginas de bio e gerar códigos QR sob o domínio nacional de Moçambique.

André Tenreiro Cria go.mz para Facilitar a Partilha de Links

Partilhar um link numa mensagem de WhatsApp, num post de Instagram ou num cartão de visita raramente é um acto neutro. Quanto mais comprido for o endereço, maior a probabilidade de ser mal copiado, de partir a meio ou de simplesmente parecer pouco profissional. É este problema, tão banal quanto persistente, que André Tenreiro decidiu resolver ao criar o go.mz, um encurtador de links gratuito, feito em Moçambique, que estreia sob o domínio nacional.

Do link comprido ao endereço em três letras

O funcionamento do go.mz é directo. O utilizador cola um endereço longo e recebe, em segundos, uma versão curta que termina em .mz. Se preferir, pode escolher o que aparece depois da barra, o chamado slug, para que o link seja mais memorável — algo como go.mz/campanha em vez de uma sequência aleatória de letras. É um detalhe pequeno, mas que muda a percepção de profissionalismo quando o link chega a um cliente ou a um leitor.

A plataforma inclui ainda três funcionalidades que a colocam mais perto do Linktree do que de um simples encurtador. Primeira, páginas de bio: uma única ligação que agrega várias, útil para quem só pode pôr um endereço na descrição do Instagram ou do TikTok. Segunda, códigos QR gerados automaticamente para cada link, prontos a imprimir em folhetos, embalagens ou ecrãs de balcão. Terceira, estatísticas em tempo real de cliques, para perceber que canais estão a trazer visitas e ajustar a comunicação com base em dados, não em suposições.

Um cibersegurança por trás do projecto

O que distingue o go.mz de dezenas de encurtadores estrangeiros não é apenas o domínio. É o perfil de quem o construiu. André Tenreiro está ligado ao CERT-MZ, a equipa nacional moçambicana de resposta a incidentes informáticos, e é uma das poucas vozes moçambicanas com trabalho publicado em plataformas internacionais de referência em cibersegurança. Na Securelist, publicação da Kaspersky, assinou um estudo sobre esquemas de fraude em massa por troca de cartão SIM que envolveram Moçambique.

É também o criador do openSquat, uma ferramenta de código aberto que ajuda empresas a detectar domínios registados para se fazerem passar pelas suas marcas, uma técnica comum em campanhas de phishing. Publicada no GitHub, a ferramenta acumula mais de 980 estrelas, o que a coloca entre os projectos abertos moçambicanos com maior reconhecimento fora do país.

Este pedigree conta. Encurtadores de links são, na prática, camadas de intermediação entre quem partilha e quem clica: mascaram o endereço original e podem, se forem mal desenhados, servir de arma para camuflar burlas. Ter esta ferramenta construída por alguém cuja profissão é caçar precisamente esse tipo de ataques dá ao serviço uma credibilidade rara em soluções deste tipo.

Um encurtador com bandeira

Ao adoptar o domínio .mz, o go.mz faz mais do que oferecer uma alternativa nacional a serviços como bit.ly, cutt.ly ou tinyurl.com. Cada link partilhado torna-se, ao mesmo tempo, uma micro-declaração de identidade digital: o país aparece no endereço, no ecrã de quem clica, na barra do browser. É uma forma silenciosa de reforçar a presença de Moçambique no mapa online, câmara a câmara, mensagem a mensagem.

Este ponto vai além do simbolismo. Quando uma pequena empresa moçambicana partilha campanhas usando o bit.ly, os dados de quem clica passam por servidores fora do país e ficam sujeitos a políticas de privacidade estrangeiras. Um encurtador com base local abre a porta a um enquadramento diferente, mais próximo do quadro jurídico moçambicano.

Quem tem mais a ganhar

Vários perfis podem tirar partido imediato do go.mz. Pequenas empresas e freelancers que querem partilhar links de forma mais profissional em cartões de visita e WhatsApp Business. Jornalistas e criadores de conteúdo interessados em saber quantos cliques uma peça está a gerar em diferentes canais. Escolas, associações e igrejas que precisam de reunir várias ligações numa única página de bio. E equipas de marketing que precisam de códigos QR para folhetos e campanhas de rua.

Num país onde a economia digital ainda dá passos iniciais, ter serviços de infra-estrutura pequenos, mas bem construídos, é fundamental. O go.mz encaixa nesse trabalho de fundo: uma ferramenta simples, resolvida a partir de dentro, que junta utilidade prática a uma preocupação séria com segurança e identidade nacional.

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