Plataforma junta dados geográficos, estatísticos e demográficos para apoiar decisões sobre a expansão das redes móveis e a inclusão digital.
Em que zonas do país há rede 4G? Onde ainda não existe sinal? Até agora, porém, responder a estas perguntas exigia cruzar informação dispersa. O Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM) quer mudar isso com o Portal Nacional de Banda Larga e Planeamento de Cobertura, apresentado na sexta-feira.
Para isso, a plataforma mostra a cobertura de internet e das redes móveis num único espaço interactivo. O INCM desenvolveu-a em parceria com a Cellular Expert, com base na tecnologia ArcGIS, um sistema de informação geográfica usado para criar e analisar mapas a partir de dados localizados no território.
Mapas de cobertura de internet por operadora
Antes de mais, a principal funcionalidade são os mapas interactivos, que mostram a cobertura das redes móveis por operadora e por tecnologia: 2G, 3G, 4G e 5G. Além disso, o portal inclui indicadores sobre a cobertura do território e da população e sobre as principais infra-estruturas do país.
Desta forma, autoridades, operadoras, investidores e parceiros de desenvolvimento passam a ter uma leitura mais clara e actualizada das telecomunicações em Moçambique. Por exemplo, uma operadora pode identificar zonas populosas sem rede de qualidade, enquanto o Governo pode localizar distritos onde a cobertura ainda é insuficiente.
Decisões baseadas em dados
Para Celso Xerinda, administrador de Assuntos Corporativos do INCM, a plataforma marca uma mudança na forma de planear e acompanhar a conectividade nacional. Segundo explicou, a nova abordagem assenta em dados, evidências e informação georreferenciada fiável, que permitem decisões mais informadas e políticas públicas mais eficazes.
Além disso, o responsável sublinhou que o portal serve também para orientar o investimento privado. Ao mesmo tempo, ajuda a identificar as zonas sem cobertura de internet e a acelerar iniciativas de inclusão digital, sobretudo nas zonas rurais e de difícil acesso.
Os cidadãos também podem reportar falhas
Outra das novidades mais relevantes é a possibilidade de os cidadãos reportarem directamente ao regulador problemas de cobertura. Assim, com estes contributos, o INCM pode recolher informação mais rigorosa sobre a qualidade dos serviços e responder mais depressa às necessidades dos utilizadores.
Na prática, quem vive numa zona onde o sinal falha com frequência passa a ter um canal para o comunicar. Em seguida, essa informação pode ajudar a confirmar, ou a corrigir, os dados de cobertura apresentados pelas operadoras.
Um apoio ao censo
Na cerimónia de lançamento, a presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE) destacou a utilidade da ferramenta para as operações estatísticas em curso. Entre elas está o censo piloto que decorre em Magude e na cidade de Maputo, preparatório do primeiro recenseamento totalmente digital do país. Segundo a responsável, a plataforma vai facilitar o planeamento e a recolha de informação no terreno.
Uma infra-estrutura estratégica
Em suma, o INCM vê o portal como mais do que um mapa digital. Para a instituição, trata-se de uma infra-estrutura estratégica para a transformação digital do país. O objectivo é aumentar a transparência no sector das telecomunicações, estimular a concorrência entre operadoras e promover um acesso mais equitativo à internet em todo o território.
O Portal Nacional de Banda Larga e Planeamento de Cobertura já está disponível ao público, no endereço divulgado pelo INCM.

