O continente africano poderá contar em breve com um novo porto espacial, concretamente em Djibuti, país na África Oriental, após ter assinado um acordo de parceria com a Hong Kong Aerospace Technology para a construção de uma instalação de lançamento de satélites e foguetes.
De acordo com dados já publicados, o governo do Djibuti “fornecerá o terreno necessário (mínimo 10 km quadrados e com um prazo não inferior a 35 anos) e toda a assistência necessária para construção e operação do porto espacial do Djibuti”.
O projecto do espaçoporto de mil milhões de dólares envolverá também a construção de uma instalação portuária, uma rede eléctrica e uma auto-estrada para assegurar o transporte fiável de materiais aeroespaciais. A assinatura do acordo foi presidida pelo presidente do Djibuti, Ismail Omar Guelleh, e o projecto está previsto para ser concluído nos próximos cinco anos.
O porto espacial é um enorme marco para África, tornando-se no primeiro porto espacial orbital em solo africano. O acordo assinado, em parceria com a Touchroad International Holdings Group, abre o caminho para a assinatura de um contrato formal, previsto para este mês (Março).
Uma declaração da Hong Kong Aerospace Technology observa, “o projecto permitirá ao Grupo alavancar os recursos da República do Djibuti e a ligação comercial da Touchroad em África, e permitir ao Grupo uma entrada sem problemas no negócio aeroespacial na República do Djibuti”.
De acordo com Victor Mwongera, Chefe do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Kenyatta, a projecção irá dispor de uma base de lançamento que irá servir todos os Africanos.
Lançamentos experimentais e em pequena escala foram executados em África no passado, incluindo o Centro Espacial Broglio (San Marco) operado pela Itália em Malindi, Quénia e Reggane, na Argélia.
Mwongera vê a expansão da indústria espacial africana – com vários países africanos já a construir e operar os seus próprios microssatélites – como uma tendência crescente.
“Levou tempo, mas precisamos de tempo como continente para estarmos prontos para esta era. Agora que estamos prontos, o número está a aumentar e é provável que aumente ainda mais. Em qualquer tecnologia, não lhe é possível entrar e ser um líder instantaneamente, mas hoje em África, há muitas mentes jovens interessadas no campo, tudo isto é promissor”, revela Mwongera.
De acordo com o relatório sectorial anual de 2022 da empresa de investigação Space in Africa, o valor da indústria espacial e de satélites em África subiu para mais de 19,6 mil milhões de dólares. A taxa é alimentada por 14 países que lançaram 52 satélites no espaço.
A África do Sul, Egipto, Argélia e Nigéria têm o maior número de satélites no espaço desde 2022, tendo cada um deles lançado mais de cinco satélites.
Mwongera explicou que os países da África Oriental estão bem posicionados para abrigar mais portos espaciais, devido à sua proximidade com o Equador. Sendo que no equador… há uma energia mínima necessária”, disse ele.
Para aproveitar o potencial do Quénia, o Viwanda Africa Group, em colaboração com a Longshot Space Technology, encomendou a uma equipa de estudantes das universidades Kenyatta e Nairobi um estudo de viabilidade sobre a localização ideal para estabelecer um porto espacial no Quénia.
Fonte: Quartz




