Em 24 horas, uma máquina queniana transforma resíduos orgânicos num fertilizante rico em nutrientes. Foi com esta solução, a Wastebot Decomposer Machine, que a EcoRich Solutions venceu a fase africana do KPMG Global Tech Innovator 2026. A startup, liderada pela queniana Joyce Rugano, vai agora representar o continente na final mundial, marcada para Novembro, em Lisboa.
A KPMG anunciou o resultado a 17 de Setembro, em Joanesburgo. Segundo a consultora, a competição recebeu mais de 100 candidaturas de empresas tecnológicas de todo o continente, das quais saíram dez finalistas. Depois, um painel independente avaliou a inovação, o potencial de crescimento, o espírito empreendedor, o foco no cliente e a abordagem à gestão de risco de cada projecto.
Do lixo orgânico ao fertilizante acessível
Na prática, a Wastebot responde a dois problemas ao mesmo tempo. Por um lado, a gestão de resíduos orgânicos continua a ser um desafio em muitas cidades africanas. Por outro, os pequenos agricultores têm dificuldade em comprar fertilizante de qualidade, um insumo tradicionalmente caro.
A máquina da EcoRich liga as duas pontas. Em vez de seguirem para as lixeiras, os resíduos orgânicos dão origem a um fertilizante que a empresa quer vender a preços acessíveis. Segundo a KPMG, o objectivo é ajudar os pequenos produtores a aumentar a produtividade, melhorar os rendimentos e proteger o ambiente. Além disso, um fertilizante orgânico produzido localmente pode reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados.
O que está em jogo em Lisboa
A competição, organizada pela KPMG Private Enterprise, vai no sexto ano consecutivo. O formato dá às empresas tecnológicas emergentes uma montra internacional, contacto com investidores e líderes da indústria e a oportunidade de competir com alguns dos empreendedores mais promissores do mundo. Em Lisboa, a EcoRich vai partilhar o palco com os vencedores das restantes regiões.
Para Joyce Rugano, fundadora e CEO da empresa, o prémio é “um marco incrível”. “A qualidade da inovação demonstrada pelos restantes finalistas africanos mostra a força do ecossistema empreendedor do continente”, afirmou. “Estamos ansiosos por representar África nas finais globais e partilhar a nossa visão com uma audiência internacional de líderes do sector e inovadores.”
Do lado da organização, Sandeep Main, responsável pela área de Private Enterprise da KPMG em África, destacou a “força, criatividade e resiliência” das candidaturas. Na sua opinião, a EcoRich exemplifica “o tipo de negócio que está a ajudar a moldar o futuro de África através da tecnologia e inovação”.
Fintech, educação e agricultura entre os finalistas
Embora o troféu continental tenha ido para o Quénia, a competição distinguiu também outros projectos. A The Marking App foi a finalista regional da África Austral, enquanto a Minie Money ocupou a mesma posição na África Ocidental. No conjunto, os finalistas apresentaram soluções em áreas como a fintech, a educação e as tecnologias ambientais e agrícolas.
Uma montra para a agritech africana
A vitória da EcoRich reforça o interesse internacional por empresas que usam tecnologia para resolver problemas estruturais, como o acesso a insumos agrícolas. A agricultura, aliás, é terreno de outros inovadores africanos, como a ugandesa Sandra Nabakka, que aplica IA ao sector agrícola.
Ainda assim, a final em Lisboa vale sobretudo pelas portas que abre. Ali, uma startup africana ganha acesso directo a investidores, parceiros e clientes que raramente estão ao seu alcance. Por isso, o verdadeiro teste da Wastebot virá depois do palco, quando a EcoRich tiver de levar a máquina a mais agricultores.
Fonte: KPMG

