A Iniciativa Raparigas Africanas Podem Codificar (AGCCI) encerrou esta semana, na cidade da Beira, mais uma edição em Moçambique. A 3.ª fase juntou mais de cem raparigas de sete distritos da província de Sofala em duas semanas intensas de formação em programação, inteligência artificial e design digital. As participantes vieram de Beira, Nhamatanda, Búzi, Muanza, Marromeu, Dondo e Cheringoma.
A AGCCI é uma iniciativa continental liderada pela ONU Mulheres, em parceria com a União Africana e a União Internacional das Telecomunicações (UIT), com apoio financeiro do Governo do Reino da Bélgica em Moçambique. O objectivo é capacitar raparigas dos 17 aos 25 anos em competências digitais que abram porta a carreiras nas TIC e a participação activa na transformação digital do continente.
Do bootcamp aos primeiros produtos
Durante duas semanas, as participantes trabalharam em Coding, Inteligência Artificial, Robótica, Web Design, App Design e programação em Scratch. O formato de bootcamp intensivo é a marca registada da AGCCI. Curto no tempo, longo na exposição, com peso claro no hands-on.
O que saiu do bootcamp
O balanço da edição, apresentado na cerimónia de encerramento, mostra números concretos. As participantes entregaram cinco websites, quatro aplicações móveis e dois projectos de robótica. Onze produtos digitais construídos por raparigas moçambicanas em duas semanas.
Para uma iniciativa desta escala, este tipo de entrega é o que interessa. Não é apenas formação. É evidência de que o pipeline funciona quando o talento encontra oportunidade.
A leitura da Bélgica
Na cerimónia de encerramento, o Chefe de Missão da Bélgica em Moçambique sublinhou o essencial. As raparigas não são apenas utilizadoras de tecnologia. São criadoras de soluções, inovadoras e futuras líderes da transformação digital. A tese alinha-se com a razão de existir da AGCCI e explica porque a Bélgica continua a apoiar o programa em vários países africanos.
“Hoje celebramos as soluções que estas jovens mulheres criaram. Amanhã olhamos com expectativa para as empresas que vão construir, para as tecnologias que vão desenvolver e para o impacto que vão gerar em Moçambique e além”, resumiu o Chefe de Missão.
Quem esteve à mesa em Moçambique
A implementação desta 3.ª fase envolveu uma rede de instituições nacionais. O Governo da Província de Sofala, os Ministérios das Comunicações e Transformação Digital, da Educação e Cultura, e do Trabalho, Género e Acção Social, e a Universidade Católica de Moçambique. A ONU Mulheres expressou publicamente o seu apreço pelo compromisso destas instituições na operacionalização do bootcamp.
Porque isto importa para o ecossistema
Moçambique, como a maior parte dos países africanos, tem um problema estrutural de sub-representação feminina no sector tecnológico. As equipas de engenharia, ciência de dados, cibersegurança e produto continuam a ser maioritariamente masculinas, e o pipeline de formação não fecha esse desequilíbrio no ritmo necessário. A AGCCI ataca o problema onde mais custa. No primeiro contacto técnico, feito ainda em idade de escolha de carreira.
O que vem a seguir
Após o encerramento, as participantes ficam ligadas à rede AGCCI, que oferece acompanhamento pós-bootcamp, oportunidades de mentoria e ligação a programas de continuidade. Para Moçambique, o desafio é transformar esta 3.ª fase num sinal de continuidade, e não num evento isolado. O talento sai da Beira preparado. O ecossistema tem agora de o acolher, integrar e escalar. Mais sobre o ecossistema digital nacional pode ser acompanhado na cobertura de Destaque Nacional da Kabum Digital.
Fontes: AGCCI Moçambique; Bureau Diplomático da Bélgica em Moçambique; UN Women Africa.

