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Para onde vai o mercado de telecomunicações em Moçambique?


O sector vale 890 milhões de dólares em 2026 e deve chegar a 1,06 mil milhões em 2031, puxado pelos dados móveis, pelo gás e pela cobertura rural.

Para onde vai o mercado de telecomunicações em Moçambique?

O mercado moçambicano de telecomunicações móveis vale cerca de 890 milhões de dólares em 2026 e deverá atingir 1,06 mil milhões de dólares em 2031, crescendo a uma taxa média anual de 3,56%, segundo o relatório da consultora Mordor Intelligence sobre o mercado de operadoras móveis em Moçambique. O crescimento será sustentado sobretudo pela venda de dados e internet, que já representam 49,02% das receitas do sector em 2025, pela procura das empresas ligadas aos megaprojectos de gás natural e pela expansão do 4G para zonas ainda sem cobertura.

A “taxa média anual de crescimento” (na sigla inglesa, CAGR) é simplesmente o ritmo a que o bolo cresce todos os anos. Um crescimento de 3,56% parece modesto, mas num mercado de quase mil milhões de dólares significa dezenas de milhões de dólares novos por ano em investimento e receitas.

Quem manda no mercado moçambicano?

Três operadoras controlam a totalidade do mercado, de acordo com a Mordor Intelligence. A Vodacom Moçambique lidera em qualidade de rede, com velocidades médias entre 21 e 26 Mbps. A Movitel, apoiada pela vietnamita Viettel, é a líder em número de clientes, com 11,7 milhões de cartões SIM activos em Maio de 2024, graças à aposta histórica nas zonas rurais. A Tmcel, a operadora pública, mantém contratos com o Estado mas enfrenta dificuldades financeiras conhecidas.

Para o consumidor, este triângulo significa que a concorrência se joga sobretudo entre Vodacom e Movitel, e é dessa disputa que nascem as promoções de dados que fazem baixar os preços.

O que vai puxar pelo crescimento até 2031?

O relatório da Mordor Intelligence identifica quatro motores principais. O primeiro é a procura empresarial ligada aos megaprojectos de gás natural liquefeito (GNL) em Cabo Delgado, que exigem ligações de alta capacidade para campos, escritórios e logística. O segundo é a expansão do 4G para zonas mal servidas, trazendo milhões de novos utilizadores de dados. O terceiro é a adopção acelerada do dinheiro móvel, serviços como o M-Pesa e o e-Mola, que transformam o telemóvel numa carteira e prendem o cliente à rede. O quarto é a queda do custo do “backhaul” por satélite, ou seja, a ligação grossista que transporta o tráfego das torres remotas até à rede principal, tal como uma estrada nacional liga as vilas à cidade.

Há ainda um segmento silencioso a crescer: os serviços de IoT (a “internet das coisas”, que liga máquinas, contadores e sensores à rede sem intervenção humana) deverão crescer 4,03% ao ano até 2031, o ritmo mais rápido de todos os segmentos, segundo a mesma fonte. E embora os consumidores representem 82,13% das receitas em 2025, é o segmento empresarial que mais acelera, com um crescimento anual de 4,47%.

Quando chega o 5G a Moçambique?

O relatório aponta que o Governo caminha para uma atribuição administrativa do espectro 5G nas capitais provinciais, em vez de um leilão. O “espectro” é o conjunto de frequências de rádio, as “faixas da estrada” por onde viajam os sinais, e atribuí-lo administrativamente significa entregá-lo às operadoras mediante condições, sem leilão milionário, para acelerar o lançamento. Na prática, o 5G deverá aparecer primeiro nas grandes cidades e em clientes empresariais, enquanto o 4G continuará a ser a rede do dia-a-dia da maioria durante vários anos.

Outra novidade citada pela Mordor Intelligence é a parceria anunciada em Novembro de 2025 entre a Vodacom e a Starlink, que combina satélites e torres terrestres para levar cobertura a zonas onde construir antenas não compensa. Para as comunidades rurais, isto pode significar sinal onde nunca houve.

O crescimento chega a quem está offline?

É o grande teste. Com apenas 19,8% da população a usar a internet, segundo a DataReportal, o mercado moçambicano tem uma margem de expansão enorme, mas só a converterá em clientes se os preços acompanharem os rendimentos e se a cobertura rural avançar. As receitas de voz, entretanto, continuam a cair, substituídas pelas chamadas via WhatsApp e outras aplicações, o que obriga as operadoras a viver cada vez mais dos dados.

O que muda para si

  • A concorrência em dados deve intensificar-se até 2031, por isso espere mais promoções e pacotes desenhados para prender clientes.
  • Se vive numa zona rural sem sinal, as parcerias com satélites como a da Vodacom com a Starlink podem trazer cobertura nos próximos anos.
  • O 5G chegará primeiro às capitais provinciais e às empresas; não vale a pena pagar já um prémio por um telemóvel 5G se vive fora desses centros.
  • Para pequenos negócios, a aposta das operadoras no segmento empresarial significa novas ofertas de internet dedicada e serviços digitais.

Fontes

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