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Moçambique Defende Inteligência Artificial Inclusiva no Fórum Mundial do Trabalho em Genebra


Moçambique confirma em Genebra aprovação para o primeiro Sandbox Regulatório de Inteligência Artificial, durante a 114ª Conferência Internacional do Trabalho.

Moçambique Defende Inteligência Artificial Inclusiva no Fórum Mundial do Trabalho em Genebra

Moçambique confirmou esta semana, na 114.ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho em Genebra, que recebeu aprovação para implementar o seu primeiro Sandbox Regulatório de Inteligência Artificial. O anúncio foi feito pela Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, durante a sua intervenção na sessão promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que reúne governos, empregadores e trabalhadores de todo o mundo para discutir o futuro do trabalho.

O Sandbox de IA permitirá que empresas, instituições de investigação e inovadores testem soluções tecnológicas em ambiente controlado, sob supervisão das autoridades competentes. A iniciativa coloca o país entre os primeiros mercados africanos a criar um mecanismo regulatório dedicado à experimentação responsável em Inteligência Artificial, e completa o quadro normativo que vinha a ser construído nos últimos anos.

Tecnologia ao serviço das pessoas

A intervenção da governante centrou-se numa pergunta directa que abriu o tom da participação moçambicana. “A pergunta essencial não é apenas o que a tecnologia pode fazer. A pergunta é: a quem serve a tecnologia?” Para Moçambique, a resposta passa por colocar a Inteligência Artificial ao serviço da pessoa humana, do trabalho digno, da inclusão social, da justiça e da paz. A ministra defendeu que a revolução digital representa oportunidade histórica para acelerar o desenvolvimento económico e social, mas que sem políticas adequadas pode aprofundar desigualdades, excluir grupos vulneráveis e fragilizar direitos laborais.

O Sandbox Regulatório de IA

O novo Sandbox de IA enquadra-se na lógica que o Banco de Moçambique aplica há vários anos no sector financeiro com o seu Sandbox Regulatório para fintechs. Permite a operadores testarem produtos em condições reais, com regras adaptadas e supervisão directa do regulador, durante um período definido. No caso da IA, a expectativa é cobrir casos de uso em saúde, educação, agricultura, administração pública e atendimento ao consumidor, com salvaguardas para privacidade, segurança e direitos dos cidadãos.

A medida é considerada estratégica para posicionar Moçambique como um dos pioneiros africanos na criação de mecanismos regulatórios voltados para a inovação tecnológica. Em paralelo, decorre a preparação da Estratégia Nacional de Inteligência Artificial e da Política Nacional de Governação de Dados, instrumentos que devem orientar o desenvolvimento e a utilização responsável destas tecnologias.

A agenda nacional

Ivete Alane referiu também o papel do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, criado para liderar a agenda de digitalização e inovação tecnológica do país. O conjunto destas iniciativas, sublinhou, traduz uma escolha política clara. Acompanhar a transformação digital global sem renunciar ao princípio da pessoa humana no centro da política pública.

O cuidado com as plataformas digitais

Apesar do tom optimista quanto ao potencial da Inteligência Artificial, a ministra manifestou preocupação com os impactos das plataformas digitais no trabalho. O crescimento de empresas que articulam trabalhadores via aplicação, sem vínculo formal e sem protecção social plena, levanta questões que o quadro laboral tradicional ainda não acomoda inteiramente. “A transição digital deve criar oportunidades, não novas formas de exclusão”, afirmou.

O contexto da OIT

A intervenção moçambicana foi feita num momento em que a OIT debate em profundidade o impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho mundial. O tema central deste ano é “Um momento de escolha: Aproveitar a inteligência artificial para um trabalho digno”, proposto pelo Director-Geral da organização, Gilbert Houngbo. A discussão procura identificar formas de maximizar os benefícios da tecnologia e, ao mesmo tempo, proteger os trabalhadores e promover oportunidades económicas mais equitativas. Moçambique assume a sua posição como contributo a essa busca colectiva.

Ao encerrar, Ivete Alane defendeu que o objectivo é claro. “Queremos fazer da inteligência artificial não uma ameaça ao trabalho, mas uma ponte para mais dignidade, mais oportunidades e mais desenvolvimento sustentável.”

Fonte: mznews.co.mz.

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