Moçambique tem 7,12 milhões de utilizadores de internet no arranque de 2026, o que corresponde a uma taxa de penetração de 19,8% da população, segundo o relatório “Digital 2026: Mozambique”, da DataReportal, elaborado com dados recolhidos em Outubro de 2025. Na prática, isto significa que apenas 2 em cada 10 moçambicanos estão ligados à rede e que mais de 28 milhões de pessoas, ou seja, 80,2% da população, continuam totalmente fora da internet. Ainda assim, o país somou mais 198 mil utilizadores num ano, um crescimento de 2,9% face a 2025.
A “taxa de penetração” é simplesmente a percentagem de habitantes que usa a internet. Se imaginarmos um chapa cheio com 10 passageiros, só 2 deles conseguiriam abrir o WhatsApp ou ver um vídeo no telefone.
Quantos telemóveis estão ligados às redes móveis?
O mesmo relatório contabiliza 19,1 milhões de ligações móveis activas em Moçambique, o equivalente a 53,1% da população. Atenção: ligações não são pessoas. Muitos moçambicanos usam dois cartões SIM, um da Vodacom e outro da Movitel, por exemplo, para aproveitar as promoções de cada rede, pelo que o número de ligações é sempre maior do que o número real de utilizadores.
As ligações móveis cresceram 3,7% num ano, mais 678 mil cartões activos, de acordo com a DataReportal. E há um dado encorajador: 88,5% dessas ligações já são de banda larga, isto é, funcionam em redes 3G, 4G ou superiores, capazes de carregar vídeos e aplicações, e não apenas chamadas e mensagens.
Quantos moçambicanos estão nas redes sociais?
Segundo o relatório, existem 4,10 milhões de identidades activas nas redes sociais, o que representa 11,4% da população total e 23,4% dos moçambicanos com 18 anos ou mais. O termo “identidades” é usado porque uma pessoa pode ter mais do que uma conta.
Este foi o indicador que mais cresceu. Num só ano, as redes sociais ganharam 800 mil utilizadores, um salto de 24,2%, de acordo com a DataReportal. Na divisão por género, os homens dominam: 58,4% das contas pertencem a utilizadores masculinos e apenas 41,6% a mulheres, um desequilíbrio que reflecte as desigualdades no acesso ao telemóvel e aos dados móveis.
A internet está mais rápida do que era?
Sim, e de forma notável. A velocidade mediana de descarga na internet fixa atingiu 29,92 Mbps, mais 81,7% do que um ano antes, segundo os dados da Ookla citados no relatório. Em termos simples, descarregar um ficheiro que antes demorava dez minutos passa a demorar pouco mais de cinco. Esta melhoria está ligada ao investimento em fibra óptica e em novas infra-estruturas de transmissão nas principais cidades.
Porque é que 8 em cada 10 moçambicanos continuam offline?
O retrato demográfico ajuda a explicar. Moçambique tem 35,9 milhões de habitantes, uma idade mediana de apenas 16,5 anos e 60% da população a viver em zonas rurais, segundo os dados citados pela DataReportal. Levar torres de rede, energia e fibra a aldeias dispersas é caro, e o preço dos telemóveis inteligentes e dos pacotes de dados continua pesado para a maioria das famílias. O resultado é uma internet concentrada em Maputo, Matola e nas capitais provinciais, enquanto o interior fica para trás.
O crescimento de 2,9% ao ano é positivo, mas, a este ritmo, o país demoraria décadas a ligar toda a população. É por isso que a expansão da cobertura rural e a redução do custo dos dados são hoje os dois grandes desafios da agenda digital moçambicana.
O que muda para si
- Se já usa internet, faz parte de uma minoria de 19,8% da população, e os serviços digitais (banca móvel, e-commerce, governo electrónico) vão ser desenhados primeiro para si.
- A velocidade fixa quase duplicou num ano, pelo que vale a pena comparar ofertas de fibra e rever o contrato que tem em casa ou no negócio.
- Com 88,5% das ligações móveis já em banda larga, um telemóvel com 4G dá acesso à mesma internet que um computador, sem precisar de instalação fixa.
- O crescimento de 24,2% nas redes sociais significa mais clientes online para quem vende produtos ou serviços pelo Facebook e WhatsApp.
Fontes
- Digital 2026: Mozambique — DataReportal, dados de Outubro de 2025.

