Após quatro anos atrás, ter anunciado o processo para tornar-se numa das startups bem bem-sucedidas, a WeWork, empresa criada pelo Adam Neumann empreendedor israelense-americano, anunciou a possibilidade de enfrentar falência.
Definida como a casa das empresas de tecnologia, a WeWork surgiu nos Estados Unidos em 2010 e cresceu rapidamente com a proposta de alugar imóveis em várias cidades ao redor do mundo e convertê-los em espaços de coworking modernos e convidativos, principalmente a empreendedores.
Num documento submetido à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), a empresa declarou que “As nossas perdas e fluxos de caixa negativos provenientes das atividades operacionais levantam preocupações significativas quanto à nossa capacidade contínua de operar”.
O colapso da empresa que, em um momento, foi avaliada em 40 bilhões de dólares pela SoftBank, tem sido destaque já há muito tempo na arena de inovação, com direito a uma mini-série.
Ainda que a quantidade de grandes edifícios comerciais em todo o mundo ostentando o nome da WeWork continue a ser notável. A startup também foi afectada pela pandemia de Covid-19, que levou a que várias empresas abandonassem os seus arrendamentos em prol do trabalho remoto, o que deixou a WeWork carregada de dívidas e a enfrentar dificuldades na geração de receitas.
A empresa afirmou que se não conseguir melhorar a sua posição de liquidez e a rentabilidade das suas operações, pode ser forçados a considerar várias opções estratégicas, incluindo a reestruturação ou refinanciamento, procura de mais dívida ou de capital próprio, redução ou adiamento das actividades comerciais e iniciativas estratégicas, venda de activos, outras transações estratégicas e/ou medidas adicionais, possivelmente incluindo a busca de proteção de falências de acordo com o Código de Falências dos EUA.
As acções da WeWork têm sido negociadas abaixo de 1 dólar desde meados de março. Até aqui sofreram uma queda de 26%, chegando a 15 centavos, nas negociações alargadas na, resultando numa capitalização de mercado actual inferior a 500 milhões de dólares.
Durante o primeiro semestre deste ano, a empresa registou uma perda líquida de 700 milhões de dólares, após ter acumulado prejuízos de 2,3 bilhões de dólares em 2022. Em 30 de junho, a WeWork tinha 205 milhões de dólares em dinheiro e equivalentes, com uma liquidez total de 680 milhões de dólares, mas também apresentava um passivo (dívida) a longo prazo de 2,91 bilhões de dólares.
Em 2019, a WeWork tentou iniciar o processo de oferta pública, divulgando o seu prospecto inicial em agosto daquele ano. No entanto, essa tentativa foi amplamente criticada devido aos seus gastos excessivos e riscos substanciais, juntamente com a complicada relação do fundador Adam Neumann com a empresa.
Em resultado disso, a oferta nunca se concretizou, e o fundador e CEO da SoftBank, Masayoshi Son, chamou o seu investimento na WeWork de “tolice”, resultando na SoftBank assumindo o controlo maioritário da empresa através de um pacote de financiamento de 5 bilhões de dólares. Neumann foi obrigado a renunciar.
Ainda na ronda de possível reestruturação, em 2021, a WeWork tornou-se uma empresa de capital aberto por meio de uma fusão com uma Empresa de Aquisição de Propósito Específico.
O futuro da viabilidade da WeWork como empresa operacional depende de fatores-chave, como a contenção de despesas de capital, aumento das receitas e obtenção de financiamento através de dívida ou emissão de ações.
Antes do anúncio da possível falência, três membros do conselho renunciaram devido a “discordâncias substanciais em relação à governança do conselho e à direção estratégica e tática da empresa”. Um deles era Daniel Hurwitz, que ocupava o cargo de presidente desde maio.
Actualmente, a WeWork ainda está à procura de um líder permanente. Em maio, a empresa anunciou a saída iminente do CEO Sandeep Mathrani e a nomeação de David Tolley, um ex-diretor financeiro da Intelsat e membro do conselho, como CEO interno.
Fonte CNBC




