O mundo é uma tela em branco para aqueles que sabem como capturar sua beleza e contar suas histórias através da câmera. Kelvin Nhantumbo é um desses cineastas e artista visual que tem dedicado sua carreira a capturar imagens incríveis e contar histórias emocionantes através de comerciais, filmes corporativos, documentários e curtas-metragens numa busca incansável pela captação perfeita.
Cresceu em Maputo, e considera esta a cidade que o inspira na concepção e captação de “vidas” por ser “uma cidade cheia de histórias incompletas”, e usa a câmera para contá-las.
“Tive a sorte de crescer num Maputo inquieto e com histórias tão incompletas que sempre me deram vontade de as contar. É através da lente que interpreto o mundo. À minha maneira. Com as repetições que forem necessárias para conseguir descrever as personagens que me rodeiam e que me despertam curiosidade”.
Desta busca, como profissional no ramo de concepção de histórias, crê que há que, criar uma experiência de marca vai além da simples relação entre o produto e o consumidor. É preciso considerar as activações de marca, o atendimento ao cliente, a facilidade de compra e a publicidade sedutora. Para o alcance deste feito, o ingrediente certeiro é investimento na cor ou coloração, que dará ao público um anúncio publicitário mais atraente além da narrativa óbvia.
“Cor é vida. Existe em tudo o que nos rodeia. Representa sentimentos, ideias, ideais, culturas, etc. Quando olhamos para o vermelho da Coca-Cola, o amarelo do McDonalds, o azul do Facebook, não só nos ajuda a identificar, mas também nos sintoniza ao posicionamento da marca.”
Conta em entrevista para o portal Marcas Por Escrever.
Revela ainda, que a importância da correção de cores resume-se em dois pontos: a primeira é o lado técnico que permite-nos harmonizar/combinar shots que, por qualquer motivo, foram filmados em ambientes, horários ou locais diferentes, mas fazem parte da mesma sequência. A segunda é a artística, em que a correção de cores funciona como uma ferramenta para transmitir um sentimento, por exemplo: um filme com uma coloração azulada ou dessaturada, remete-nos a dramas, suspenses ou thrillers, com coloração saturada ou quente, remete-nos à acção, romance ou comédia.
Ademais, tem experiência em edição televisiva e publicitária, tendo trabalhado com instituições públicas e privadas, agências de comunicação e incubadoras de desenvolvimento na concepção das suas campanhas publicitárias, caso de Cervejas de Moçambique, DKT Íntimo, Vale, Prudence, Seedstars África, Millennium Bim,
Desde 2017, lançou a sua própria produtora de nome KCN Films, após experiência como Motion Designer na SOICO-Sociedade Independente de Comunicação, onde foi responsável pela realização, edição e produção de vídeos. É formado em Marketing pelo Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM).
Para Kelvin Nhantumbo, a jornada da captação pode associar-se como ponte para o seu alcance, possibilidade e análise constante de trabalhos de coloristas renomados para ajuda na percepção de combinações que quebram as barreiras do que é considerado normal, e ter um grande conhecimento técnico, pois, segundo defende, um colorista de cores tem que estar preparado para lidar com câmaras, formatos de gravação, formatos de ficheiros, e espaços de cores diferentes.
Da sua experiência, o seu verdadeiro talento está na direção de filmes. Em 2021, realizou ao lado do projecto comunitário Chamanculo é Vida o filme “Perspectivas do Meu Guetto” um documentário sobre o contraste existente na forma como o público olha para os bairros periféricos.




