A AFR-IX Telecom e o Grupo Raxio anunciaram uma parceria estratégica para expandir a infra-estrutura digital e a conectividade na África lusófona, com particular incidência em Moçambique e Angola. A colaboração prevê a implantação da rede da AFR-IX Telecom nos data centers da Raxio em Maputo e Luanda, disponibilizando a empresas, operadoras e provedores de nuvem um acesso reforçado à conectividade regional e internacional.
Rede pan-africana chega aos data centers de Maputo e Luanda
Com esta parceria, os clientes que operam a partir das instalações da Raxio passam a ter acesso directo à rede pan-africana da AFR-IX Telecom e à sua rede AS Cone, melhorando a conectividade com destinos regionais e internacionais. A escolha da Raxio pela AFR-IX baseou-se na certificação Tier III das suas instalações, que fazem destas o primeiro conjunto de data centers independentes e neutros em relação a operadoras a obter esta distinção em Angola, num padrão que a operadora replica em Moçambique para operações de missão crítica.
Para o mercado moçambicano, a chegada da AFR-IX Telecom ao data center de Maputo abre uma porta directa para tráfego regional que, tradicionalmente, era encaminhado através de nós fora do continente. Bancos, plataformas de pagamento, operadores móveis, empresas de tecnologia e provedores de serviços em nuvem instalados em Maputo passam a beneficiar de menor latência, custos operacionais mais previsíveis e maior redundância de percursos internacionais.
Resposta a um desafio histórico do roteamento africano
Para as duas entidades, a parceria visa solucionar um desafio histórico no roteamento de tráfego de Internet no continente, onde os dados tradicionalmente são encaminhados através de redes no exterior, aumentando a latência e os custos operacionais. Ao concentrar rede e capacidade de alojamento no mesmo edifício, o modelo permite que empresas moçambicanas troquem tráfego entre si e com pares regionais sem sair do país.
O director de vendas da Raxio Angola, Fábio José, destacou o acordo como um passo importante para o mercado angolano, que tem a intenção de se tornar um hub das telecomunicações na região. Segundo o responsável, empresas deste porte trazem consigo diversas oportunidades para as empresas locais, ao mesmo tempo que sinalizam que Angola está no radar dos grandes players do sector das telecomunicações que estão a investir no país. A lógica é directamente transponível para Moçambique, onde o data center da Raxio em Maputo, inaugurado após a construção iniciada em 2022, procura posicionar-se como ponto de interligação neutro para operadores, cabos submarinos e provedores globais que servem o corredor Índico.
Para o ecossistema digital moçambicano, marcado pela crescente adopção de nuvem por parte da banca, das PME e do sector público, a combinação entre uma rede pan-africana operada em modelo carrier neutral e um data center Tier III pode reduzir a dependência de rotas externas e criar condições para que aplicações críticas passem a ser servidas localmente.
Fonte: Portal de TI

