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ANGOTIC: Angola Acelera Transformação Digital em Maior Feira de Tecnologia do País


ANGOTIC 2026 encerra em Luanda com mais de 300 startups, 21 expositores estreantes e oito países, e aposta na transformação digital de Angola.

ANGOTIC: Angola Acelera Transformação Digital em Maior Feira de Tecnologia do País

O ANGOTIC 2026, principal feira de tecnologias de informação e comunicação de Angola, encerrou esta semana em Luanda com números recorde. A edição reuniu mais de 300 startups, recebeu 21 expositores estreantes e contou com a presença de delegações de oito países. O encontro confirmou a aposta angolana em consolidar Luanda como um dos principais palcos tecnológicos lusófonos e abriu várias frentes de discussão sobre o que vem a seguir.

Organizado pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), o ANGOTIC tem ganho dimensão regional a cada nova edição. A de 2026 foi a maior em número de expositores e a primeira em que o tema da transformação digital ocupou explicitamente o lugar central. As conversas concentraram-se em conectividade, fintech, inteligência artificial, cibersegurança e tecnologias espaciais.

As 300 startups no centro do palco

A presença de mais de 300 startups é o número que mais facilmente comunica a maturação do ecossistema angolano. Várias destas empresas operam em áreas como pagamentos digitais, soluções para PME, agritech e serviços digitais para o sector público. Entre os anúncios de produto, a fintech Appy apresentou novas plataformas de pagamento e facturação electrónica, num movimento que ilustra como o segmento de soluções para empresas tem ganho terreno em Angola, no rastro de uma economia que aposta na digitalização de processos como forma de aumentar competitividade.

Angola como hub de tecnologias espaciais

Uma das narrativas mais distintivas saídas do ANGOTIC 2026 veio da delegação portuguesa, que sinalizou publicamente o interesse em posicionar Angola como um hub para as tecnologias espaciais. O argumento assenta em três factos. Angola tem capacidade de lançamento de satélites em parceria com operadores internacionais, dispõe de operadores nacionais com presença em telecomunicações por satélite e tem investido nos últimos anos em formação técnica em áreas de engenharia espacial. A combinação cria condições para uma vertical específica, ainda pequena à escala global mas relevante em África.

Os 21 expositores estreantes

Vinte e um expositores participaram pela primeira vez no ANGOTIC, número que sinaliza a entrada de novos actores no ecossistema. A diversidade dos estreantes é em si um indicador, com empresas em segmentos como hardware, infra-estrutura digital, software empresarial, soluções financeiras e plataformas de conteúdo. Para um ecossistema em formação, esse alargamento da base é tão importante quanto o crescimento das empresas existentes.

O peso da agenda institucional

O programa do fórum incluiu visitas de alta representação, com a Primeira-Dama da República a percorrer várias exposições. Estiveram em destaque temas como serviços públicos digitais, cibersegurança, infra-estrutura crítica e formação de quadros técnicos. A presença política sublinha a importância que o Executivo angolano atribui ao sector como motor de diversificação económica, num país que vem a sair gradualmente da dependência do petróleo.

O circuito regional

O ANGOTIC dialoga com outros fóruns tecnológicos africanos. A entrada de oito países na edição angolana mostra como o circuito de eventos tecnológicos do continente começa a operar como rede, com fundadores, investidores e instituições a circularem entre cidades. Luanda ganha, com edições sucessivas do ANGOTIC, um lugar próprio nesse circuito, ao lado de Nairobi, Lagos, Cairo, Casablanca e Cidade do Cabo.

O que vem depois

O ANGOTIC 2026 encerra com vários compromissos públicos que terão de se traduzir em projectos nos próximos meses. Há expectativa de novas parcerias bilaterais em tecnologias espaciais, de programas de aceleração para as startups expositoras e de investimentos em infra-estrutura digital nacional. A próxima edição do fórum começa a ser preparada com a ambição de continuar a crescer, num momento em que Angola disputa, com Quénia, Nigéria, Egipto, Marrocos e África do Sul, espaço no mapa do investimento tecnológico africano.

Fontes: imprensa angolana; MINTTICS.

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