A Anthropic lançou, a 30 de Junho, o Claude Science. É o mais recente produto principal da empresa e coloca a inteligência artificial no centro da descoberta de medicamentos e da investigação científica. O anúncio foi feito num evento em São Francisco que juntou executivos farmacêuticos, fundadores de biotech e investigadores.
A lógica do produto é comparável à do Claude Code, o produto para engenheiros de software lançado nos últimos meses. Só que agora aplicada à ciência. O Claude Science reúne num único ambiente de trabalho mais de 60 bases de dados científicas e ferramentas de computação especializadas, desde genómica a biologia estrutural, passando por proteómica e cheminformatics.
O que faz o Claude Science
O produto funciona como research workbench. Um investigador pode dar ao modelo uma instrução de alto nível e o Claude Science executa autonomamente as etapas intermédias, incluindo escolha de bases de dados, pesquisa de literatura, execução de código de análise e produção de relatórios técnicos. As 60 ferramentas integradas cobrem os fluxos mais comuns em investigação biomédica e química, o que reduz a fricção de saltar entre múltiplos softwares especializados.
Anthropic entra no jogo dos medicamentos
Em paralelo com o produto, a Anthropic anunciou um passo mais provocatório. A empresa vai correr um programa interno de descoberta de medicamentos. Eric Kauderer-Abrams, responsável pela área de ciências da vida na Anthropic, explicou que o programa vai focar-se em doenças negligenciadas, aquelas que as farmacêuticas tradicionais consideram pouco atractivas do ponto de vista comercial. A tese é dupla. Aprender na prática o que a farmacêutica precisa das ferramentas e demonstrar que a IA pode acelerar áreas terapêuticas hoje sub-investidas.
Disponibilidade e requisitos
O Claude Science está disponível a todos os subscritores pagos do Claude, em versão beta. Corre em Linux e macOS, com acesso remoto a máquinas dedicadas para computações mais pesadas. A opção de máquina remota é essencial em investigação farmacêutica, onde as simulações estruturais e as análises de large-scale genómica exigem hardware especializado.
O contexto de mercado
A entrada da Anthropic na descoberta de medicamentos coloca-a em rota de sobreposição com dois grupos. As farmacêuticas globais, que já usam modelos internos e parcerias com fornecedores de IA. E as startups de IA para ciência, que têm crescido nos últimos anos com investimento pesado de fundos de risco. Nomes como Isomorphic Labs, Insilico Medicine e Recursion competem por atenção. A entrada de um player como a Anthropic, com modelo de fronteira próprio e credibilidade em áreas adjacentes, muda o equilíbrio da competição.
O sinal para a investigação
Para universidades e centros de investigação, o Claude Science abre uma porta prática. Muitas equipas de investigação não têm capacidade interna para integrar múltiplas ferramentas nem para escrever pipelines de análise de dados. Ao entregar um workbench pronto, a Anthropic reduz o custo técnico de arranque de novos projectos científicos. E, no caso dos programas de doenças negligenciadas, cria potencialmente um novo canal de financiamento e visibilidade para investigação em regiões que costumam ficar de fora do circuito comercial.
Fontes: CNBC; MIT Technology Review; Pharmaceutical Technology.

