A Anthropic apresentou, a 27 de Agosto de 2026, o Modelo de Hardware Padrão (MHS), uma tecnologia que permite ligar modelos de inteligência artificial a dispositivos físicos como máquinas industriais, microscópios e robôs. É o primeiro passo da empresa em direcção à chamada IA física, e um esforço para criar uma interface comum entre modelos de linguagem e o mundo real.
O MHS é uma extensão do Model Context Protocol (MCP), o padrão aberto que a Anthropic lançou em 2024 para conectar sistemas de IA a fontes de dados e software. Se o MCP funciona, nas palavras de Alek Kemeny, integrante da equipa técnica da Anthropic, “como uma espécie de USB para a conexão entre IA e software”, o MHS faz o mesmo, mas para hardware. Um comando enviado por um modelo de linguagem pode agora ser interpretado por um microscópio, um braço robótico ou uma máquina de laboratório, sem que os fabricantes tenham de construir integrações personalizadas.
De semanas para minutos
O principal argumento comercial da Anthropic é o tempo. Segundo a empresa, integrar IA a dispositivos físicos costuma exigir projectos personalizados que levam “semanas, senão meses”. Com o MHS, essa integração poderia ser feita “em horas ou minutos”. Para sectores como a manufactura e a pesquisa científica, onde múltiplos equipamentos de fabricantes diferentes precisam de comunicar entre si, isto representa uma mudança estrutural na forma como os fluxos de trabalho automatizados são construídos.
A tecnologia é independente do modelo. Não está limitada ao Claude nem aos sistemas da Anthropic. A empresa afirma que o padrão pode ser usado com modelos da OpenAI e com sistemas de código aberto, uma abordagem que segue a mesma lógica do MCP, hoje adoptado por várias empresas do sector.
Nem todas as máquinas estão prontas
A adopção do MHS depende de uma condição prática: os dispositivos precisam de ter uma interface de programação. Kemeny reconheceu à Fortune que nem todas as máquinas existentes podem ser ligadas imediatamente ao padrão, porque muitas não dispõem dessa camada de software. A Anthropic diz estar a trabalhar com fabricantes para desenvolver novos equipamentos já preparados para o MHS e para adicionar a conexão a produtos existentes.
Para Jonah Cool, responsável pelas parcerias e implementação científica da Anthropic, os equipamentos de pesquisa “sofrem com soluções proprietárias muito frágeis e que muitas vezes não atendem às necessidades dos cientistas”. O objectivo do MHS é evitar a dependência de um único fornecedor e permitir que investigadores conectem diferentes modelos de IA aos dispositivos que já utilizam.
Parcerias iniciais
O MHS foi desenvolvido em parceria com o HHMI Janelia Research Campus, centro de pesquisa biomédica na Virgínia, nos Estados Unidos. Entre as organizações que tiveram acesso antecipado durante o desenvolvimento estão a Genentech, a Universidade Carnegie Mellon, a QuEra, a Universal Robots, a Amazon Web Services, a Doosan Robotics, a Danaher e a Hugging Face.
A iniciativa surge num momento em que a indústria acelera o cruzamento entre inteligência artificial e robótica, um segmento também defendido pela Nvidia. Para a Anthropic, o MHS é a peça que faltava para que os modelos deixem de operar apenas dentro do ecrã e passem a agir directamente sobre o mundo físico.

