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Chats Privados do Claude Ficam Expostos nos Motores de Pesquisa


Uma pesquisa simples no Google devolveu milhares de conversas com o Claude, incluindo dados sensíveis. A Anthropic explica que só ficam localizáveis se forem partilhadas publicamente.

Chats Privados do Claude Ficam Expostos nos Motores de Pesquisa

Uma pesquisa simples no Google, com o parâmetro site:claude.ai/share, chegou a devolver milhares de conversas de utilizadores do Claude, o assistente de Inteligência Artificial da Anthropic. O caso foi noticiado a 28 de Julho de 2026 pelo portal alemão Heise online e mostrou, entre os resultados, dados sensíveis como chaves de carteiras de criptomoedas e um pedido de aconselhamento jurídico. Depois de o problema se ter tornado público, a Google deixou de mostrar entradas encontradas com aquela pesquisa, mas utilizadores no Reddit relataram que os motores Bing e Brave ainda apresentavam os mesmos resultados nas primeiras horas.

Origem: o botão de partilha do Claude

A origem do problema não é um ataque nem uma falha inédita. Está no próprio mecanismo de partilha do Claude, que permite gerar uma ligação pública para qualquer conversa. A par dessa opção existia uma outra, “Make this chat discoverable” (“tornar esta conversa localizável”), que muitos utilizadores parecem ter activado sem perceber que estavam a autorizar a indexação da conversa pelos motores de busca. Em resposta ao Heise, a Anthropic sublinhou que as ligações partilhadas só são localizáveis se forem publicadas em público pelos próprios utilizadores.

Convém sublinhar que este não é um caso isolado. Em Setembro do ano passado, conversas do Claude já tinham aparecido em resultados de pesquisa do Google e do Microsoft Bing, segundo reportagem da Forbes. Na altura, a Anthropic afirmou que bloqueia activamente o rastreamento por parte dos motores e que os afectados terão publicado as ligações em redes sociais; alguns utilizadores negaram, contudo, ter feito essa partilha.

Como reduzir o risco em conversas com IA

Para quem usa o Claude ou serviços semelhantes, a lição imediata é que qualquer conversa partilhada por link deixa de estar sob controlo. No Claude, o menu Settings > Privacy dá acesso às secções Shared Chats e Shared Artifacts, onde é possível ver o que já foi partilhado e revogar acessos. É também aí que se pode desactivar a opção de tornar uma conversa localizável.

Adicionalmente, convém não colar em prompts informação que não colaria num e-mail público: senhas, chaves privadas de carteiras cripto, dados bancários, contratos ainda não celebrados, dados de saúde ou peças processuais confidenciais. As mesmas regras aplicam-se ao ChatGPT, Gemini, Copilot ou a qualquer outro assistente que ofereça partilha por link. Se o objectivo for guardar uma conversa apenas para consulta pessoal, os planos pagos costumam oferecer histórico privado sem necessidade de gerar uma ligação pública.

Casos como este reforçam uma tendência que se repete a cada trimestre: à medida que os assistentes de IA passam a ser usados para tarefas cada vez mais sensíveis, a fronteira entre uma conversa privada e um documento público torna-se mais fina. A repetição do incidente aponta, sobretudo, para uma questão de desenho, uma vez que qualquer função que possa expor dados por defeito ou por engano precisa de linguagem clara e de definições de privacidade escolhidas conscientemente.

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