Djimetta: O poder do streaming na construção da carreira musical

Djimetta

Nos últimos anos, mundialmente, a indústria musical tem registado grandes transformações com a ascensão dos serviços de streaming, tecnologia que permite a transmissão de conteúdo digital em tempo real pela internet, ou seja, ao contrário do download, que é necessário baixar um arquivo para poder visualizá-lo, o streaming permite que o conteúdo seja reproduzido de forma 100% online, enquanto está sendo transferido.

Em Moçambique, a música local vem se adaptando a essa nova era digital. Cada dia que passa, artistas vem se aliando à esta ferramenta no alcance do público. Entre os artistas que se estão destacando nesse cenário, um nome que vem ganhando cada vez mais espaço é Djimetta.

Foi através do digital que o artista se fez. A sua jornada ao sucesso, foi junto com o “boom” do streaming, que nunca vendeu um CD físico, dos trabalhos já lançados, todos foram feitos digitalmente e sem altos gastos, como investir no lançamento de um CD físico, ao  que não se sente na necessidade de vender um CD físico.

“Falsos Profetas” e “Salavrados” são os trabalhos que colocaram o artista no mapa do streaming e actualmente, Djimetta conta, isto só no Spotify, com mais de 300 mil reproduções da sua obra.

A Kabum Digital, conversou com o rapper que apresentou a sua visão sobre a nova era do streaming, apresentou as vantagens, desvantagens, e como tem utilizado esta nova ferramenta ao seu favor.

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“A era do streaming musical veio nos salvar…”

Em uma era que os CD e Cassetes já estão esquecidos e há falta de locais para o seu uso (reprodutores), para Djimetta streaming chegou numa boa hora e é o futuro, se não o presente e trouxeram um novo dinamismo para os artistas, desde os lançamentos e a própria rentabilização.

“Com as plataformas de streaming, os músicos, pelo menos, têm a rentabilização do seu produto e investimento, a era do streaming musical veio nos salvar. Os utilizadores destas plataformas não gastam tanto assim, mas em compensação, cada streaming vale algum centavo para o artista e à medida  que vai se acumulando, os artistas conseguem ter mais rentabilidade do que na época dos CDs.”

Djimetta

Por outro lado, Djimetta, realça a possibilidade de fazer a arte chegar mais longe ou a dita exposição a nível mundial que a era abre aos músicos.

“Imagina como seria para outros artistas que estão fora de Moçambique para aquisição dos meus CDs? Seria complicado. Hoje em dia é só entrar na internet e escrever o nome do artista  e encontrar o catálogo, para além da possibilidade de retorno.”

Para o artista, a desvantagem reside na morte do simbolismo, ou seja, na impossibilidade da continuidade da cultura de colecionar discografia dos artistas favoritos. Está também a dependência para cada país em casos de igualdade de sucesso no seio artístico, em particular atenção às burocracia existente nesse mercado, injustiças, favoritismos que no final desfavorecem alguns artistas com potencial.

No seu caso, o streaming tem sido um aliado forte e acredita que as plataformas desenvolveram um senso de valorização para com o trabalho dos artistas, uma vez que as pessoas pagam pelo acesso e resulta numa alta valorização. E dessa forma a abertura da rentabilização em pouco tempo sem a dependência, concretamente de um álbum, basta uma mixtape ou simples música.

“Temos mais facilidade de rentabilizar com pequenos projectos que não são necessariamente álbuns oficiais, o que antes não era possível.”

Djimetta

E como está a questão da qualidade dos trabalhos? Para Djimetta, verifica-se aumento da qualidade sonora dos trabalhos, pela exigência que das plataformas nesse aspecto para a sua aprovação e colocação para distribuição, porém, quanto ao conteúdo, destaca que nem tanto.

“As pessoas olham para o streaming como uma forma fácil de rentabilizar e muito das pessoas fazem o conteúdo para ter streams e esquecem de apostar na qualidade do conteúdo”

Nesta era do streaming, o conselho do Djimetta é a adaptação dos artistas e facilitarem cada vez mais a partilha do conteúdo com os ouvintes, e introdução de novas dinâmicas que possam tornar o mercado mais favorável, pelo poder e decisão de escolha que pode ser útil caso seja bem usado. 

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