Marraquexe recebe o maior evento tech do continente.
A quarta edição do GITEX África realizou-se de 7 a 9 de Abril de 2026 em Marraquexe, Marrocos, consolidando-se como o maior evento de tecnologia e inovação do continente africano. Nascido como uma extensão do GITEX Global de Dubai, o evento africano ganhou vida própria e tornou-se o ponto de encontro obrigatório para quem quer fazer negócios de tecnologia em África. A edição deste ano reuniu mais de 55.000 profissionais de tecnologia, 1.800 expositores e startups de mais de 130 países.
Onze países na estreia
O North Star África, a vertente dedicada exclusivamente a startups, atraiu 700 empresas emergentes e 400 investidores que, colectivamente, gerem mais de 200 mil milhões de dólares americanos em activos sob gestão. Um dado significativo: 24% dos investidores participaram pela primeira vez, sinal de que o ecossistema africano está a atrair novos olhares e que Marraquexe se está a posicionar como porta de entrada para o capital internacional interessado em África.
Esta edição marcou a estreia de 11 países, incluindo Andorra, Croácia, República Checa, Dinamarca, Hong Kong, Hungria, Luxemburgo, Palestina, Portugal e Tailândia. A diversidade geográfica dos novos participantes revela o alcance global que o evento está a conquistar. A Tunísia levou mais de 40 startups sustentáveis, a Costa do Marfim enviou 12 startups e uma delegação de 45 oficiais, e a França juntou-se com o seu maior pavilhão governamental de sempre, um reconhecimento implícito de que o futuro da tech francophone se joga cada vez mais em África.
GITEX África: IA no centro de tudo
Os temas centrais giraram em torno de Cloud, IoT, IA, Cibersegurança, Telecom, Finanças, Agritech e HealthTech, as áreas que estão a definir o futuro tecnológico do continente. A Inteligência Artificial dominou as discussões, com painéis dedicados a IA generativa, modelos de linguagem para línguas africanas, e aplicações em saúde e agricultura. Várias demonstrações ao vivo mostraram soluções construídas por equipas africanas, desde chatbots multilingues até sistemas de diagnóstico médico assistido por IA.
Para Moçambique, o GITEX África representa uma oportunidade perdida e uma lição para o futuro. A ausência de uma delegação nacional significativa num evento desta dimensão limita a visibilidade do ecossistema tech moçambicano num palco cada vez mais competitivo. Países da SADC como a África do Sul, a Tanzânia e o Ruanda estiveram representados, Moçambique não pode dar-se ao luxo de ficar de fora.
A quinta edição já está marcada para 2027, com expectativas de ultrapassar os 70.000 participantes. O GITEX África representa uma montra insubstituível não apenas para captar investimento, mas para estabelecer parcerias comerciais, aprender com as melhores práticas do continente e mostrar ao mundo o que países africanos são capazes de construir.
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