A Google anunciou as 15 startups seleccionadas para a Classe 10 do seu programa Accelerator Africa, a turma mais focada em inteligência artificial de sempre. Escolhidas entre quase 2.600 candidaturas, as empresas representam oito países africanos, da Nigéria ao Senegal, de Angola à Costa do Marfim, e têm em comum a utilização de IA como componente central dos seus modelos de negócio. O programa híbrido de três meses decorre entre Abril e Junho de 2026, sem que a Google fique com qualquer participação no capital das empresas.
De Luanda a Lagos: quem faz parte
A Nigéria lidera com quatro startups: a MasteryHive AI, que automatiza reconciliação de transacções, detecção de fraude e monitorização de combate ao branqueamento de capitais para instituições financeiras; a Regxta, que combina credit scoring com dados alternativos e distribuição híbrida digital-agente para micro negócios sem acesso bancário; a Termii, infraestrutura de comunicações com IA nativa para bancos e fintechs; e a Bani, também no sector financeiro.
O Quénia igualou a Nigéria com quatro seleccionadas: a Coamana, que ajuda governos e associações de mercado a digitalizar mercados informais de alimentos; a Duck, plataforma de inteligência de dados em tempo real para marcas de consumo; a ReportsAI, que transforma dados brutos em relatórios de conformidade através de IA; e a VunaPay, infraestrutura de pagamentos instantâneos para cooperativas e pequenos agricultores.
Da África do Sul vieram a Loop e a Vambo AI. O Uganda contribuiu com a Emaisha Pay, o Senegal com a Maad, a Costa do Marfim com a Meditect, e a Tanzânia com a Safiri. Mas é de Angola que vem uma das histórias mais interessantes: a Anda Africa, que está a formalizar, financiar e electrificar a força de trabalho informal de moto-táxis em Angola através de credit scoring proprietário baseado em IA. A empresa oferece financiamento para motociclos eléctricos a condutores que nunca tiveram histórico de crédito formal.
Um acelerador sem custos e sem equity
O modelo do Google for Startups Accelerator Africa distingue-se por não cobrar nada às startups e não ficar com participação no capital. Os participantes recebem mentoria de especialistas da indústria, workshops técnicos sobre a stack de IA e cloud da Google, e apoio na preparação para rondas de investimento. Desde 2018, o programa já apoiou 106 startups de 17 países africanos, que colectivamente levantaram mais de 263 milhões de dólares e criaram mais de 2.800 postos de trabalho.
A Classe 10 confirma uma tendência clara: a IA deixou de ser uma tecnologia experimental em África para se tornar o componente central de negócios que resolvem problemas reais, desde a inclusão financeira de moto-taxistas angolanos à digitalização de mercados informais quenianos. O facto de quase 2.600 startups se terem candidatado sugere que o talento existe em escala. O que falta, como sempre, é capital, infraestrutura e paciência para deixar estes negócios crescer.
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Fontes: Google Blog; TechAfrica News; Disrupt Africa, Abril-Maio 2026

