A Google DeepMind e a Boston Dynamics aprofundaram a sua colaboração em Maio com o objectivo de aproximar a robótica humanoide do uso industrial real. A parceria combina os modelos de Inteligência Artificial de fronteira da DeepMind com o hardware robusto da Boston Dynamics, e os primeiros resultados sugerem que a robótica pode estar a entrar numa fase de maturidade comercial que vinha a ser prometida há anos sem nunca se concretizar plenamente.
O movimento técnico de fundo é simples de descrever mas profundo nas consequências. Os robôs da Boston Dynamics, incluindo o humanoide Atlas e o quadrúpede Spot, sempre tiveram capacidade física impressionante. O que faltava era um cérebro flexível, capaz de compreender objectivos em linguagem natural, adaptar-se a ambientes não estruturados e aprender com poucas demonstrações. Os modelos da DeepMind oferecem exactamente isso. A combinação cria robôs que conseguem responder a instruções complexas, navegar em ambientes que não foram cuidadosamente preparados, e aprender tarefas novas a partir de poucos exemplos.
As aplicações imediatas estão claramente identificadas. Armazéns e centros de distribuição, com tarefas repetitivas que combinam manipulação e movimento, são candidatos óbvios. Fábricas com tarefas variáveis, onde os robôs tradicionais exigem reprogramação cara para cada nova configuração, são outro alvo. Construção civil, com ambientes em mudança constante, oferece terreno fértil para sistemas mais flexíveis. E logística portuária, com manipulação de cargas em ambientes complexos, fecha o quadrado dos primeiros casos comerciais relevantes.
O que muda em relação ao que existe
A robótica industrial existe há décadas e domina linhas de produção em automóvel, electrónica e farmácia. O que muda agora é a flexibilidade. Os robôs tradicionais são caros, exigem reprogramação para cada nova tarefa, e operam em ambientes cuidadosamente desenhados para eles. Os novos robôs da DeepMind e Boston Dynamics são mais caros à compra mas mais baratos a operar, porque podem ser reconfigurados rapidamente, trabalham em ambientes não optimizados e colaboram com humanos em chão de fábrica sem barreiras físicas.
O contexto da indústria
A colaboração entre DeepMind e Boston Dynamics encaixa numa onda mais ampla de movimentos na robótica. A Tesla apresenta o Optimus com cadência regular. A Figure AI fechou rondas de centenas de milhões para humanoides industriais. A 1X Technologies, com sede na Noruega, prepara comercialização de robôs domésticos. E várias empresas chinesas, incluindo Unitree e Xiaomi, lançaram produtos com preços agressivos. O sector está em fase de transição de demonstração para produto comercial, e a Boston Dynamics, com a vantagem de duas décadas de experiência em hardware, mantém-se entre os candidatos com maior probabilidade de sucesso.
O custo unitário
Um dos vectores menos discutidos publicamente é o custo unitário dos robôs. Os modelos da Boston Dynamics têm tradicionalmente sido vendidos a preços que reflectem produção em pequena escala, com unidades industriais a custarem entre US$75.000 e várias centenas de milhares de dólares. A combinação com modelos de IA da DeepMind permite manter preços altos com argumentação de capacidade superior, mas exige eventualmente redução de custo unitário para atingir mercado de massa. A trajectória da indústria automóvel pode servir de referência, com várias décadas a serem necessárias para chegar a preços competitivos com mão-de-obra humana em economias desenvolvidas.
Fonte: imprensa internacional.

