O palco do Google I/O 2026 cumpriu o que se esperava dele: serviu de fundo ao maior anúncio da Google em vários anos. A 19 e 20 de Maio, no Shoreline Amphitheatre, em Mountain View, a empresa apresentou o Gemini 3.5, o modelo que marca a sua entrada formal na era dos agentes de Inteligência Artificial. A par dele veio também o Gemini Omni, modelo multimodal capaz de gerar vídeo de qualidade cinemática a partir de qualquer combinação de imagem, áudio, vídeo e texto.
A grande mudança técnica é a forma como o modelo pensa. O Gemini 3.5 não responde apenas a perguntas: navega na web, usa ferramentas externas, executa código e toma decisões em sequências longas de acções, sem supervisão humana constante. É a definição prática de agente. O modelo chega em duas variantes principais: uma versão regular optimizada para qualidade máxima e uma variante Flash, mais rápida e barata, desenhada para casos de uso de alto volume. A Flash compete directamente com modelos como o GPT-4 Turbo da OpenAI e o Claude Haiku da Anthropic, e o seu pricing por token é dos mais agressivos do segmento.
O Gemini Omni é o lado multimodal da nova geração. É o primeiro modelo da Google capaz de gerar vídeo de qualidade cinemática a partir de qualquer combinação multimodal. Um utilizador pode misturar imagens estáticas, faixas de áudio, clips de vídeo e descrições em texto, e o modelo entrega um resultado coerente em estilo, ritmo e narrativa. As aplicações imediatas vão de criadores de conteúdo a equipas de marketing, passando por educação online e produção audiovisual para empresas.
Integração no Chrome
O Gemini 3.5 ficou profundamente integrado no Chrome. As novas funcionalidades incluem resumo automático de páginas, autopreenchimento inteligente de formulários, pesquisa contextual e tradução em tempo real em qualquer site. O modelo Gemini Nano corre localmente no dispositivo para tarefas leves, enquanto tarefas pesadas seguem para a nuvem, encriptadas. Para o utilizador, isso significa um Chrome a fazer coisas que antes exigiam aplicações separadas.
Googlebook e o regresso ao hardware
A Google apresentou também os Googlebooks, uma linha de portáteis premium com Android (em substituição do ChromeOS), desenhados de raiz para Inteligência Artificial. Trazem o Magic Pointer, que oferece sugestões contextuais com base no que o utilizador está a fazer no ecrã, e widgets personalizáveis para organizar tarefas. É a primeira vez em anos que a Google volta a apostar visivelmente em hardware próprio fora dos Pixel.
Onde fica este lançamento
O Gemini 3.5 chega num momento intenso para a indústria. Poucos dias antes, a Anthropic anunciou uma ronda de US$30 mil milhões e pedido de IPO confidencial. Logo a seguir, a Meta confirmou um CAPEX de US$115 a 135 mil milhões em IA para 2026. A corrida da IA generalista deixou de ser disputa de modelos para se tornar disputa de ecossistemas. Quem oferece a melhor combinação de modelo, browser, dispositivos e API ganha. Para utilizadores e empresas africanas, o impacto chega via Gemini API, Google AI Studio e Vertex AI, com pricing competitivo na variante Flash.
Fonte: Google.

