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Jean: a casa criativa que usa o storytelling para aproximar e humanizar marcas


Jean, casa criativa moçambicana fundada por Kelly Jean Valigy, celebra o primeiro ano de actividade a contar histórias autênticas através do audiovisual.

Jean: a casa criativa que usa o storytelling para aproximar e humanizar marcas

Completado o seu primeiro ano de actividade, a Jean celebra a arte de contar histórias. Focada no desenvolvimento de projectos audiovisuais, esta casa criativa moçambicana ajuda marcas e instituições a ligarem-se ao seu público de forma autêntica, sensível e profunda.

A jornada da fundadora da Jean, Kelly Jean Valigy, foi moldada por uma década de trabalho e muita aprendizagem em grandes agências de comunicação em Moçambique. Foram anos valiosos, onde absorveu ferramentas, compreendeu a fundo o mercado e cresceu profissionalmente. No entanto, com o passar do tempo, o seu coração começou a pedir outro caminho. Kelly sentiu o desejo profundo de trabalhar em projectos independentes, onde a liberdade criativa imperasse e onde o foco não estivesse necessariamente amarrado a campanhas publicitárias tradicionais ou manuais corporativos.

Essa inquietação transformou-se em propósito durante um período de grandes mudanças globais. Kelly, como muita gente, começou a notar uma vaga de novos empreendedores, artistas e marcas independentes que criavam projectos incríveis, mas que não sabiam como contar a sua história ao mundo. As estruturas do mercado, focadas em publicidade em grande escala, nem sempre conseguiam dar a atenção que estes projectos mereciam. A Jean nasceu desse desejo de proximidade. Da vontade de ser um porto seguro para as pessoas que têm uma ideia e precisam de ajuda para lhe dar vida através de imagens e emoções.

Em Abril de 2025, o sonho materializou-se. Desde o primeiro dia, Kelly faz questão de esclarecer que a Jean não é uma agência de marketing tradicional. “Somos uma casa criativa”, define com simplicidade.

“Apesar de termos um leque de serviços disponíveis para os nossos clientes, a nossa verdadeira paixão está nos projectos independentes que fazemos. Os documentários, as curtas-metragens, os podcasts. Qualquer coisa que nos vem à mente, fazemos.”

Kelly Jean Valigy, fundadora da Jean

Essa filosofia reflecte-se na assinatura que guia a equipa. “Where Ideas Come Home” (Onde as Ideias Encontram Casa). É um lembrete diário de que qualquer ideia, por mais simples ou ousada que seja, merece ser ouvida com respeito e empatia. “Acreditamos que não existem más ideias. Criámos um ambiente acolhedor e sem julgamentos, onde ouvimos e vemos como todos podemos ajudar a realizar a ideia.”

Uma equipa que partilha o mesmo coração

A Jean ganha vida através de um núcleo unido de cinco pessoas. Longe do modelo corporativo vertical, o processo criativo na casa é colectivo, baseado na partilha e na entreajuda. Quando chega um novo desafio, todos se sentam à mesa, independentemente de trabalharem na produção, no conteúdo ou na área digital.

“A Jean não sou eu, a Jean é toda a equipa”, explica Kelly, com orgulho. Na Jean, a criatividade nunca é o fardo ou a responsabilidade de uma única pessoa. É uma construção de todos.

Essa visão humana estende-se à forma como a equipa cresce. Mais do que currículos extensos ou diplomas académicos, a equipa procura pessoas com brilho nos olhos, que trazem consigo uma veia autodidacta e uma vontade genuína de aprender e colaborar. “A técnica e o manuseamento das câmaras, podemos ensinar com o tempo. Mas o carácter, a criatividade e a vontade de crescer em equipa têm de vir de dentro. Valorizamos muito isso.”

Essa energia reflecte-se na dinâmica do quotidiano. Como o foco da Jean está em capturar a vida através do audiovisual, a equipa passa grande parte do tempo fora do escritório. O trabalho assume frequentemente um tom de aventura, levando a equipa a acampar ou a viajar de barco para gravar em cenários naturais e comunidades distantes.

Chiffon Bakery: criar laços através da imagem

Entre as histórias que marcaram este primeiro ano de vida, a colaboração com a Chiffon Bakery, uma marca de confeitaria artesanal gerida por duas primas, ocupa um lugar especial no coração da Jean. Foi o projecto perfeito para colocar em prática a essência da casa. Apoiar e caminhar lado a lado com marcas locais.

A confeitaria tinha passado por um longo período de silêncio nas redes sociais. O desafio não era simplesmente fazer publicidade para vender bolos, mas sim reatar o laço com a comunidade. A equipa da Jean envolveu-se inteiramente, apostando no desenvolvimento de conteúdos audiovisuais delicados e estéticos, que mostravam o carinho na escolha dos ingredientes, os bastidores da cozinha e a dedicação das fundadoras, transformando cada partilha num momento de ligação.

O resultado superou as expectativas. A comunidade respondeu com mensagens de carinho e um envolvimento profundo, provando que o público ainda estava lá, à espera de ser ouvido. O que começou com uma simples gestão de conteúdos cresceu organicamente para coberturas fotográficas e produções audiovisuais, consolidando uma parceria baseada na confiança mútua.

A busca pela ligação emocional

Com o seu crescimento orgânico, a Jean começou a atrair a confiança de marcas e instituições de maior dimensão, operando hoje em vários sectores do mercado. No entanto, o crescimento não mudou a essência da casa. Os valores continuam intactos. Com os pés no chão, a Jean assume a responsabilidade do seu impacto e prefere recusar projectos que não alinhem com a sua visão de responsabilidade social e ética. No que toca a resultados, a casa criativa escolhe sempre caminhar com transparência e sensatez ao lado dos seus clientes.

Para garantir a eficácia de cada projecto antes da entrega final, a equipa foca-se num critério claro. A peça audiovisual precisa de ser auto-explicativa e capaz de gerar uma reacção imediata. Se a mensagem for claramente entendida e despertar interesse em quem a vê pela primeira vez, sem necessidade de explicações adicionais, a Jean sabe que o trabalho cumpriu o seu propósito.

A simplicidade de ser autêntico

Kelly aponta que, por vezes, o mercado de comunicação se perde ao tentar seguir tendências passageiras de forma cega ou ao depositar expectativas irreais em números de seguidores e influenciadores digitais. Para a Jean, a oportunidade reside na simplicidade de ser autêntico e ter a coragem de experimentar linguagens visuais diferentes. “A nossa força está na ousadia de testar novos caminhos, sem medo de errar, guiados sempre pela intuição e pela sensibilidade artística.”

Olhando para o futuro, o grande desejo de Kelly é que, daqui a dez anos, quando alguém tiver uma ideia que pareça difícil ou demasiado sensível para explicar, pense na Jean como o lugar certo para ir. Um espaço acolhedor onde as histórias encontram uma casa.

O olhar de Kelly sobre a criatividade

“Para mim, a criatividade é um pouco como cozinhar. Qualquer um de nós consegue seguir uma receita. Mas abrir a geleira, ver um ovo, meio tomate, limão, um pacote de caldo e resto de massa, e conseguir mesmo assim improvisar um prato como deve ser, isso é saber cozinhar. Na comunicação visual é a mesma coisa. Nem sempre temos os maiores orçamentos ou os recursos ideais, mas ter a mente aberta e o coração disposto para criar algo wow com aquilo que temos à nossa frente, isso, sim, é ser criativo.”

Kelly Jean Valigy, fundadora da Jean

Fonte: Entrevista exclusiva Kabum Digital, Junho 2026.

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