Moçambique vai produzir energia eléctrica através da lixeira de Hulene

A lixeira de Hulene, bem como a de Malhampsene, localizados nas cidades de Maputo e Matola. podem tornar-se as próximas fontes de produção de energia em Moçambique, através do aproveitamento dos resíduos sólidos presentes nesses locais.

A inovação é apoiada pela Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de Resíduos da Área do Grande Porto (LIPOR).

Trata-se de uma organização portuguesa, que tem um historial de conversão eficiente de mais de 400.000 toneladas de resíduos sólidos por ano em energia eléctrica, que actualmente alimenta cerca de 15.000 casas na cidade do Porto (Portugal).

Dados revelam que Moçambique gera anualmente mais de 4,2 milhões de toneladas de resíduos, principalmente materiais de difícil decomposição como plásticos, papel, vidro, equipamentos electrónicos e baterias. É com base nestes dados que se pretende replicar o projeto nos municípios de Maputo e Matola.

Raul Rodrigues, técnico ambiental da LIPOR, explicou que o processo de conversão de resíduos em eletricidade consistirá na recolha dos resíduos em diferentes centros de oito municípios e faz-se “uma incineração controlada, que produz vapor de água. Este vapor, ao passar por uma turbina, gera eletricidade, o que nos permite abastecer diariamente uma cidade inteira de eletricidade”, explicou.

Através das instalações de tratamento da LIPOR, segundo os dados, a inovação processa, em média, 100 toneladas de resíduos por dia, produzindo cerca de 70 mil megawatts-hora, 90% dos quais são alimentados na rede pública, o suficiente para abastecer 15 mil habitações.

Samson Cuamba, chefe do Departamento de Gestão de Resíduos Sólidos do Ministério da Terra e Ambiente (MTA), sublinhou, em declarações ao Jornal Notícias, que está é uma das várias iniciativas que o país está a implementar, uma vez que se enquadram nos planos abrangentes do governo para gestão eficiente dos resíduos e reduzir os impactos ambientais negativos.

“Estamos satisfeitos com o interesse demonstrado  e estamos prontos a conceder licenças para projectos deste tipo. Não só geram receitas, como também desempenham um papel crucial na promoção de uma gestão eficiente dos resíduos sólidos”,

disse citado pelo Diário Económico.

Actualmente, o ministério está a trabalhar ativamente com todos os municípios do país para estabelecer a primeira central de valorização energética de Moçambique num futuro próximo.

Segundo o ambientalista Miguel Silva, da LIPOR, a implementação deste projeto de transformação de lixo em energia trará grandes benefícios para Moçambique, ao permitir a remoção de uma parte significativa dos resíduos urbanos, incluindo embalagens, plástico, vidro e papel. 

Na linha de inovações que querem transformar como a energia é distribuída e criada, recentemente, um adolescente de 17 anos, Nélio, desenvolveu um sistema capaz de produzir corrente eléctrica através de um dispositivo por si criado. 

A partir da sua solução é possível garantir com que mais de três casa tenham energia para vários eletrodomésticos e até carregar uma bateria de um carro. A inovação é com base na reciclagem de alguns materiais, exceto alguns multímetros.

Nélio tem também na lista das inovações uma bobina de indução magnética através da qual consegue transportar corrente sem usar fio condutor em energia eléctrica limpa e sustentável.

Fonte Diário Económico

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