A Nala, fintech africana especializada em remessas e pagamentos cross-border, fechou em Maio uma ronda de US$50 milhões liderada por investidores globais de venture capital. A operação é uma das maiores rondas de fintech africana do trimestre e marca a entrada da empresa em fase de aceleração internacional. O capital servirá para alargar a presença em corredores de remessa pouco cobertos e para lançar uma nova frente de produto orientada a empresas africanas em vez de a consumidores individuais.
A Nala foi fundada para resolver um problema persistente nos corredores de remessas para África. Os custos de envio são dos mais altos do mundo, com taxas que ultrapassam 8% em vários corredores. Os tempos de liquidação medem-se em dias quando passam por bancos correspondentes. E a experiência de utilizador, sobretudo para quem envia em volumes pequenos e regulares, é tudo menos amigável. A empresa construiu uma aplicação que permite a africanos na diáspora enviarem dinheiro para casa em poucos minutos, com custos que regularmente ficam abaixo de 3%.
A tecnologia da empresa combina três camadas. A primeira é uma plataforma de utilizador que simplifica o envio em poucos passos. A segunda é uma rede de parcerias com operadores locais em África, que permite à Nala entregar valor directamente em carteiras móveis como M-Pesa, MTN MoMo, Airtel Money e várias outras, sem passar por bancos. A terceira é uma camada de liquidação que combina rails tradicionais com infra-estrutura cripto baseada em stablecoins, sempre que isso permita reduzir custos e tempos.
A nova frente B2B
O capital fresco permite à Nala lançar uma nova linha de produto, a Nala Business, orientada a empresas africanas que precisam de fazer e receber pagamentos internacionais. O movimento responde a uma procura crescente. Cada vez mais PMEs africanas exportam serviços para clientes em mercados desenvolvidos, e as fricções de receber esses pagamentos têm sido grandes. A nova oferta pretende dar a estas empresas a mesma eficiência que a aplicação para consumidores oferece a indivíduos.
O sector em movimento
A ronda da Nala junta-se a um cluster de operações em fintech africana no mês de Maio. Três fintechs dedicadas a stablecoins captaram US$37,4 milhões em rondas anunciadas com poucos dias de intervalo, e várias empresas em segmentos vizinhos avançaram processos de captação. O sector vive um momento curioso. O capital total para África abrandou, mas a fintech, e em particular as soluções para pagamentos cross-border, continua a atrair capital concentrado e em rondas maiores.
O modelo de receita
A Nala monetiza essencialmente através de comissões por transacção e por margens cambiais. A combinação dos dois mantém custo total ao utilizador competitivo face a alternativas tradicionais, e gera receita por operação que cresce linearmente com o volume. A expansão para clientes empresariais abre uma segunda frente de monetização, com mensalidades de subscrição e tarifas por volume que tendem a ser mais previsíveis do que as do segmento B2C. A combinação dos dois modelos é estratégia comum em fintechs de pagamento, e tem provado eficácia em jurisdições como a indiana, brasileira e do Sudeste Asiático.
Fontes: Disrupt Africa; imprensa internacional.

