O lançamento fracassado do aplicativo TOM de Guidione Machava e Dário Mungoi

TOM

Dário Mungoi e Guidione Machava, são dois jovens moçambicanos com um percurso inquestionáveis na tecnologia no país que os viu nascer, concretamente Moçambique. 

Se por um lado, Dario Mungoi, contribuiu para o nascimento e chegada da GDG Maputo, sigla para comunidade mundial de desenvolvedores Google, de outro lado, Guidione Machava, colocou-se como motor dos desenvolvedores moçambicanos através da co-fundação da MozDevz ao lado de Fei Manheche,

Sempre em coordenação, através destes espaços ou comunidades, os dois, que diferente de Messi e Ronaldo, sempre caminharam juntos, deram abertura a várias portas para o florescimento localmente de mais talentos, algo que fez com que não demorasse para que em “pouco” tempo, vissem as suas habilidades sendo aceitas internacionalmente. 

Hoje, referências no que fazem e em grandes empresas de tecnologia, Dário Mungoi na Reedit, concretamente em Canadá, como Software Engineer Senior, Guidione Machava, Product Designer Senior na Shopify na França, recentemente, os jovens resolveram lançar para Moçambique, aliado às suas experiências, um aplicativo para audiobook designado “Tom”.

Com a aplicação, pretendia-se a digitalização da literatura moçambicana e assim facilitar o acesso às obras dos escritores, mas nem tudo foi um mar de rosas, aliás, foi, mas cheio de espinhas que picaram os jovens. É que após o lançamento da aplicação, se pela experiência adquirida trabalhando em grandes empresas, esperava-se aqui um sucesso estrondoso, mas a ideia foi um autêntico fracasso, dos downloads feitos à aplicação, para o acesso ao primeiro audiobook disponibilizado, o número não passou de 5 downloads ainda que o custo fosse relativamente baixo e se tratasse da obra de uma renomada escritora local, a Paulina Chiziane, vencedora do Prémio Camões 2021. 

Bons no internacional, mas desalinhados com as novas realidades moçambicanas, podemos assim definir os jovens, assumindo que é este caso uma total demonstração do quão um bom design, boas práticas de programação, nem sempre são suficientes , há mais variáveis por se controlar, há que, por exemplo, dominar, realmente, o público para o qual vai entregar a solução e como fazer entender esta audiência, desde as suas dores e se realmente o remédio que apresenta é mesmo ideal. Faltaram estes ingredientes aos jovens. É que mesmo com a colaboração com a multi premiada escritora como cara da aplicação, a mesma não ficou só pelas reações nas redes que não se converteram em utilizadores ou compradores.

Aqui também entra a necessidade de saber o tempo “certo”, é a famosa expressão “a pressa é inimiga da perfeição”, pois na verdade, a aplicação podia ter sido um sucesso, se calhar. Observamos aqui a questão de ter chegado cheio de falhas. Quando alguns tentavam fazer o login, um 404 (designação para falhas do sistema)  era apresentado e automaticamente a aplicação fechava, e há aqui quem também não conseguia fazer o download por que dizia-se aqui que a sua região não é elegível, mesmo com configurações do seu e-mail apontando como país Moçambique.

Aqui, é mais uma daquelas histórias que nos faz perceber que talvez seja perfeito ter Cristiano e Messi em equipes diferentes, pois juntos na mesma equipa pode não ser receita para o sucesso.

Kabum Digital - Revista_33
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