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Stablecoins Já Representam 70% do Volume de Pagamentos Digitais em África


Stablecoins capturam 70% do volume de transferências digitais em África. Empresas como Yellow Card e Bitnob captam novo capital.

Stablecoins Já Representam 70% do Volume de Pagamentos Digitais em África

Os números mais recentes do mercado africano de pagamentos digitais traçam um quadro claro. As stablecoins, criptomoedas indexadas a moedas estáveis como o dólar americano, representam hoje cerca de 70% do volume de transferências digitais cross-border no continente, segundo estimativas de plataformas e relatórios sectoriais publicados em Maio de 2026. É a confirmação prática de uma tendência que vinha a acumular sinais nos últimos dois anos.

Há razões estruturais para esta penetração rápida. As moedas locais africanas tendem a desvalorizar contra o dólar, o que torna o trabalho com stablecoins indexadas ao dólar uma forma directa de protecção do valor. As taxas de envio de remessas são das mais altas do mundo, ultrapassando 8% em vários corredores, e os tempos de liquidação medem-se em dias quando passam por bancos correspondentes. As stablecoins resolvem ambos os problemas, com liquidação em minutos e custos por transacção fraccionais.

Os casos de uso já são variados. Empresas exportadoras usam stablecoins para receber pagamentos de clientes estrangeiros sem passar por bancos correspondentes. Trabalhadores migrantes africanos enviam remessas para os países de origem via plataformas baseadas em USDC ou USDT. Pequenas e médias empresas pagam fornecedores em mercados vizinhos sem ter de manter contas em múltiplas moedas. Plataformas de e-commerce regionais aceitam stablecoins como meio de pagamento alternativo a cartões, e plataformas freelance pagam profissionais africanos a operar para clientes nos Estados Unidos e na Europa.

O dinheiro está a entrar

Em Maio, três fintechs africanas dedicadas a stablecoins captaram US$37,4 milhões em rondas anunciadas com poucos dias de intervalo. Empresas como a Yellow Card, a Bitnob e a Mara expandiram operações em vários mercados, e novos entrantes apareceram em corredores específicos. O capital atraído reflecte a aposta dos investidores de que as stablecoins vão capturar uma fatia crescente do mercado de pagamentos digitais africano, num momento em que o equity africano em geral está a abrandar.

O lado regulatório

O quadro regulatório continua heterogéneo. A África do Sul aprovou regras claras para activos cripto, criando previsibilidade para empresas locais. A Nigéria moveu-se em zigue-zague entre proibição e abertura nos últimos três anos, com o naira a desvalorizar e o uso real a crescer fora dos canais oficiais. O Quénia desenha actualmente um regime específico, e o Ruanda e o Senegal exploram modelos de licenciamento. Países como Moçambique não têm posição pública definida sobre activos baseados em stablecoins, embora a actividade exista na prática.

Os intermediários que ganham

O crescimento das stablecoins em África criou espaço para uma nova geração de intermediários. Plataformas de on-ramp e off-ramp, que convertem moeda local em stablecoins e vice-versa, tornaram-se infra-estrutura essencial. Empresas como a Yellow Card, a Mara e a Bitnob ocupam esse espaço com produtos B2C, enquanto outras como a Flutterwave integraram stablecoins em ofertas B2B. O custo de oportunidade de não estar no segmento começa a tornar-se visível para bancos tradicionais, alguns dos quais consideram parcerias com plataformas cripto para não perderem fluxo de pagamentos cross-border que historicamente passava pelas suas redes correspondentes.

 

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