Tablet comunitario é o nome da solução criada pelo moçambicano Dayn Amade com o objectivo de garantir com que ninguém fique atrás quando o assunto é inclusão digital em Moçambique.
A inclusão digital refere-se ao acesso igualitário e efetivo às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e à capacidade de utilizá-las de maneira significativa. O conceito envolve garantir que todas as pessoas, independentemente de sua localização geográfica, condição social tenham a oportunidade de participar plenamente da sociedade da informação.
É neste conceito que o Tablet Comunitário surge, a solução procura continuar a impactar positivamente, a vida de um maior número de moçambicanos servindo como ponte educativa entre os que poucos recursos tem para acompanhar a evolução digital, sem deixar “ninguém para trás”, disse ao portal MZ News Dayn Amade.
Lançado em 2015, o Tablet comunitário busca proporcionar os últimos avanços tecnológicos às comunidades mais recônditas de Moçambique, onde através de uma tela as pessoas têm acesso a serviços sociais básicos como educação e são actualizdaos sobre o futuro do mundo.
Trata-se de uma estrutura com Monitores através dos quais se pode assistir a vídeos, e, no seu lado oposto, estão instaladas cabines interactivas onde as pessoas podem interagir como um tablet ‘comum’ multiuso, que permite a interação táctil e áudio visual.
Para o Dayn Amade, o Tablet Comunitário rompe com todos modelos já estabelecidos de inclusão digital, apresentando uma forma mais eficiente das populações pouco informadas estar mais actualizado e saber como interagir com a evolução.
É natural que, para garantir a aceleração na inclusão digital, as populações sejam providas de dispositivos como telemóveis com suporte a serviços digitais. Para Dayn Amade, “é pouco sustentável” oferecer esses dispositivos àqueles que têm pouco conhecimento sobre como tirar proveito adequado deles, considerando o fato de que, posteriormente, não será possível assegurar o acompanhamento e a monitoria dos benefícios almejados.
“Notei que as comunidades recônditas ainda estão completamente fora da era digital. Comecei a perceber a diferença que faz, mesmo até para questões de aprendizado. Questionei-me sobre como quem não tem acesso às tecnologias digitais faz para ter acesso a tutoriais de educação, em vez de ler manuais, quase inexistentes.
Mas também, como empoderar as comunidades de forma rápida para resolver adversidades prementes e melhorar a qualidade de vida”,
conta Amade, em explicação do surgimento da ideia.
Com o Tablet Comunitário, as comunidades têm acesso a informações que marcam o mundo de forma educativa e interactiva, com o proporcionamento de uma diversificação na comunicação, onde a educação é transmitida através da projecção de filmes, espectáculos musicais, palestras e notícias.
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Inicialmente, o dispositivo consistia em uma estrutura e quatro cabines individuais, conectadas a um computador e alimentadas por um gerador. Actualmente, o Tablet Comunitário passou por evoluções significativas. É produzido a partir de materiais plásticos reciclados e, além de incorporar painéis solares, utiliza baterias reutilizáveis. O dispositivo agora está equipado com um monitor externo de dupla função, destinado a vídeos e videoconferências.
As telas nas cabines individuais foram aprimoradas, deixando de ser apenas táteis para se tornarem multiuso (audiovisuais), permitindo interações virtuais em tempo real com conteúdos bilíngues (na língua local e/ou em português). O Tablet Comunitário também integra mecanismos específicos para atender às necessidades de pessoas não alfabetizadas e com alguma deficiência físico-motora.
Para além das funcionalidades já aqui citadas, o Tablet Comunitário poderá servir para realizar consultas médicas e receber diagnóstico, como também para realização de transacções financeiras.
Neste percurso, a solução já abrangeu mais de dois milhões de pessoas em todo o país, teve as distinções da Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, contou com uma parceria com Elon Musk, através da Space X/Starlink, e conseguiu registo de patentes nos Estados Unidos da América.
A solução teve a sua primeira patente nos finais de 2018, registada e aprovada, nomeadamente, a do desenho industrial, e a segunda, a técnica, chegou este ano. Tem também uma terceira patente registada que é o modelo Anfíbio, desenhado para conectar ilhas, aliado ao mesmo objectivo já aqui citado, conectar todo mundo.
Fonte MZ News




