Moçambique conta actualmente com dois grandes data centers comerciais de padrão internacional, o Raxio MZ1, inaugurado a 28 de Maio de 2024 no Parque Industrial de Beluluane, na Matola, e o MPM1 da iColo, empresa do grupo Digital Realty, em Maputo, onde amarra o cabo submarino 2Africa. Segundo o Raxio Group, o MZ1 foi o primeiro data center neutro e com certificação Tier III do país, um investimento superior a 20 milhões de dólares. Juntas, estas infra-estruturas permitem que bancos, operadoras, empresas e o próprio Estado guardem os seus dados dentro do território nacional, em vez de os alojarem na África do Sul ou na Europa.
O que é um data center e para que serve?
Um data center é, no fundo, um grande armazém de computadores. Em vez de prateleiras com mercadoria, tem filas de bastidores cheios de servidores, as máquinas onde “vivem” os sites, as aplicações e as bases de dados. Tal como um armazém frigorífico precisa de frio constante e de geradores para o peixe não se estragar, um data center precisa de energia ininterrupta, arrefecimento permanente e segurança apertada para os dados nunca ficarem fora do ar. Quando abre uma aplicação bancária ou um portal público, está a falar com servidores que moram num edifício destes.
Que data centers funcionam hoje em Moçambique?
Raxio MZ1, Matola. Segundo o Raxio Group, fica no Parque Industrial de Beluluane, a cerca de 20 quilómetros do centro de Maputo, junto às principais rotas de fibra óptica. Os números do operador:
- 400 bastidores e 2.000 metros quadrados de espaço técnico;
- 3 megawatts de potência informática, com redundância total de energia (2N) e arrefecimento com reserva (N+1);
- Certificação Tier III do Uptime Institute, que garante 99,98 por cento de disponibilidade, ou seja, menos de duas horas de paragem por ano;
- Ambiente neutro, com 8 fornecedores de conectividade presentes e duas salas de interligação;
- Sete camadas de segurança, com vigilância 24 horas, controlo biométrico e detecção precoce de incêndio;
- Eficiência energética (PUE) de 1,3 e energia maioritariamente renovável, da rede hidroeléctrica e de painéis solares locais, segundo o comunicado de lançamento.
Digital Realty MPM1, Maputo. Operado pela iColo, é a plataforma de interligação onde amarra o 2Africa, o maior cabo submarino do mundo, com a Vodacom como parceira de amarração. De acordo com a revista Capacity, o MPM1 aloja mais de 15 operadoras de rede e recebeu em Maio de 2025 um novo ponto de presença do MOZIX, o ponto de troca de tráfego nacional, que já regista picos acima de 150 gigabits por segundo.
Porque importa guardar os dados dentro do país?
Primeiro, a velocidade. Dados alojados em Maputo chegam a um utilizador em Moçambique em poucos milissegundos; alojados na Europa, a viagem de ida e volta demora dez ou vinte vezes mais. Para banca móvel, vídeo ou serviços públicos digitais, a diferença sente-se.
Segundo, a soberania. Dados guardados em solo nacional ficam sob jurisdição moçambicana. É a diferença entre guardar as poupanças num banco no seu bairro ou num cofre noutro continente, sujeito às regras e às crises de outros. Quando os cabos submarinos SEACOM e EASSy partiram em Maio de 2024 e a ligação internacional abrandou durante três semanas, os serviços alojados localmente continuaram acessíveis.
Terceiro, a economia. Cada serviço que migra para um data center nacional deixa de pagar alojamento e trânsito internacionais, e cria procura para técnicos, electricistas e engenheiros moçambicanos.
O que falta para o mercado crescer?
A base de utilizadores ainda é pequena, cerca de 6,9 milhões de pessoas online no início de 2025, pouco menos de 20 por cento da população, segundo a Capacity. Mas a direcção é clara, mais cabos, mais troca local de tráfego e agora capacidade séria de alojamento. O desafio seguinte é levar empresas e instituições públicas a migrar de facto os seus sistemas para estas casas dos dados.
O que muda para si
- Aplicações e sites alojados nos data centers nacionais carregam mais depressa e resistem melhor a rupturas de cabos submarinos.
- Os seus dados pessoais e bancários podem ficar sob lei moçambicana, em vez de dependerem de servidores estrangeiros.
- Pequenas empresas passam a poder alugar um servidor profissional no país, sem comprar equipamento próprio nem depender de alojamento no estrangeiro.
Fontes
- Raxio Group — Raxio Mozambique MZ1 (consultado em Junho de 2026)
- Raxio Group — Launch of Raxio Mozambique (Maio de 2024)
- Capacity Media — Mozambique Internet Exchange launches new PoP at Digital Realty’s Maputo data centre (15 de Maio de 2025)
- Submarine Networks — Cable Landing Stations in Mozambique (consultado em Junho de 2026)

