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Edilson Alberto, o jovem CEO da TechSolutions


Edilson Alberto, 22 anos, lidera a TechSolutions e desenvolve soluções digitais para o Estado moçambicano, do balcão virtual do Ministério dos Transportes à automatização de impostos municipais.

Edilson Alberto, o jovem CEO da TechSolutions

Edilson tem 22 anos, construiu uma empresa tech e hoje lidera uma equipa que desenvolve soluções digitais em Moçambique.

Edilson Alberto nasceu a 9 de Janeiro de 2004. O pai é engenheiro eléctrico, a mãe trabalha em recursos humanos. A educação em casa foi rigorosa, com regras e princípios claros. Mas os sonhos do jovem nunca foram pequenos. “Desde criança, um dos meus grandes sonhos era ter carros de luxo como Ferraris”, admite sem hesitar. “Outro era mudar o mundo, criar vários empregos e ter impacto. E eu sabia que uma das únicas formas de conseguir isso era através do empreendedorismo.”

A clareza veio cedo. Aos 15 anos, Edilson frequentou um curso de simulação empresarial onde aprendeu as bases do empreendedorismo moçambicano. Como funcionam as empresas, que documentos precisam para se tornarem legais, como se estrutura um negócio. “Percebi que realmente ser empresário era aquilo que eu queria”, recorda.

Com 16 anos, começou a estruturar a sua primeira ideia. Chamou-lhe Praticamoz, uma plataforma de ensino à distância. Lançou-a em Fevereiro de 2020, em plena pandemia, e conquistou o seu primeiro cliente, o Instituto Nília. O projecto funcionou. Mas mais importante do que o sucesso imediato foi a descoberta que veio com ele. “Percebi que realmente havia um gap no mercado. Várias empresas precisavam de alguém que lhes mostrasse que tipo de tecnologias podem usar para melhorar o seu dia-a-dia.”

Foi assim que nasceu a TechSolutions.

Soluções à medida para quem ainda vivia no papel

A TechSolutions apresenta-se como uma empresa de soluções tecnológicas com um objectivo directo. Aumentar a visibilidade, diminuir a burocracia e aumentar a eficiência das empresas. Opera em duas frentes, software e hardware, complementadas por formação e comunicação.

No software, a equipa desenvolve websites, aplicações móveis e sistemas de gestão à medida. “O website é a porta de entrada para qualquer cliente. É a forma como os potenciais clientes avaliam uma empresa, recolhem informações sobre o que ela faz”, explica Edilson. “Acreditamos que é algo essencial que todas as empresas deveriam ter.”

Mas o trabalho que mais define a TechSolutions é a automatização de processos. O alvo principal são grandes instituições e organismos do Estado, onde a tramitação de documentos ainda é, em muitos casos, inteiramente manual. “Fazemos sistemas à medida. O cliente apresenta-nos um problema e nós devolvemos uma solução específica para aquele caso”, descreve. Na vertente de hardware, a empresa já forneceu mais de mil peças de equipamento informático a várias direcções do Estado, sempre com uma lógica de adequação. “Tomamos em consideração as necessidades reais do cliente e propomos equipamento que vai durar e ter a devida garantia.”

Seis anos depois do lançamento, a TechSolutions conta com cerca de 20 colaboradores jovens, escritórios próprios e mais de 50 clientes institucionais.

O balcão que eliminou filas no Ministério dos Transportes

De todos os projectos entregues, Edilson destaca um como o mais transformador. Em finais de 2022, a TechSolutions foi convidada pelo Ministério dos Transportes e Comunicações para automatizar o processo de licenciamento de viaturas de transporte de carga e passageiros. Até então, o processo era inteiramente manual. As empresas de transporte tinham de se deslocar fisicamente ao Ministério para renovar permissões e licenças.

A equipa desenvolveu um balcão virtual que permite às empresas emitir licenças sem sair de casa. “É um sistema que agregou muito valor. Hoje conta com mais de mil utilizadores e mais de 20 mil documentos gerados”, revela Edilson. “Aumentou a facturação do sector dos transportes e tornou o processo muito mais eficiente e com menos burocracia.”

A lista de projectos marcantes não pára aí. A TechSolutions renovou websites de instituições de referência, incluindo o portal do Conselho Municipal de Maputo. E o projecto actual é ainda mais ambicioso. Em parceria com o Município da Cidade de Maputo, a equipa está a desenvolver um novo sistema de cobrança de impostos municipais, com o objectivo de trazer mais transparência, eficiência e menos burocracia aos processos tributários da capital.

IA na linha de código e no produto final

Edilson não tem dúvidas sobre o papel da inteligência artificial. “Não é uma opção, é uma necessidade”, afirma. Na TechSolutions, a IA já está integrada de duas formas. Internamente, os programadores utilizam ferramentas de IA directamente no ambiente de desenvolvimento. “Tarefas que levavam de três a quatro horas estão a levar muito menos porque integrámos inteligência artificial no nosso IDE“, explica. “Permite-nos codificar funcionalidades de forma mais rápida.”

Externamente, a empresa está a integrar IA nos sistemas que desenvolve para clientes. Chatbots inteligentes, módulos de apoio à decisão e soluções de automação. “É a forma como estamos a utilizar neste momento para ajudar tanto internamente como externamente, para os nossos clientes e parceiros.”

A cibersegurança acompanha cada passo. Dado que grande parte dos clientes são organismos do Estado, a protecção de dados é crítica. “Desde a forma como modelamos a base de dados até à encriptação, temos muito cuidado e usamos as tecnologias mais avançadas de protecção”, garante Edilson. “Acima de tudo, temos de proteger a integridade do cliente e a informação que nos é confiada.”

O medo do digital e os sistemas que ninguém formou

Quando questionado sobre os desafios que encontra nos clientes, Edilson é pragmático. O primeiro obstáculo é cultural. “Habituaram-se muito ao papel. O papel tornou-se a essência deles. Sem um papel, praticamente não conseguem executar nada. E têm muito medo de arriscar na tecnologia.”

O segundo é estrutural. Muitas instituições investem em sistemas sem pensar na infra-estrutura que os suporta. “Um sistema sem infra-estrutura praticamente não funciona. Encontramos vários clientes que já tentaram fazer sistemas, mas não fizeram de forma bem estruturada. Sem infra-estrutura, é trabalho zero.”

O terceiro é a formação. “Muitos dos nossos clientes contratavam empresas que entregavam sistemas mas não formavam, não davam manuais. O cliente ficava muito dependente do fornecedor.” Na TechSolutions, a abordagem é diferente. Análise de requisitos, infra-estrutura adequada e formação são parte obrigatória de qualquer entrega.

IA para governantes e dados para decidir

Sobre o futuro tecnológico de Moçambique, Edilson aponta duas tendências decisivas. A primeira é a inteligência artificial aplicada à governação. “O governo vai conseguir ter mais insights sobre aquilo que está a produzir e que estratégia deve implementar. Acredito que a próxima tendência será IA para os governantes, para os ministros, que vão usar IA para ajudar a tomar decisões estratégicas para o futuro do país.”

A segunda é a análise de dados. “A questão do Power BI e de Analytics vai tornar-se algo muito grande. Vamos ter mais pessoas a analisar o comportamento dos dados e a perceber que tipo de informações podemos extrair. A TechSolutions já está a investir nesta direcção.”

Moçambique primeiro, África a seguir

Edilson não esconde a ambição. “Daqui a cinco anos, gostaríamos de ver a TechSolutions como a empresa número um de Moçambique em tecnologias de informação e comunicação, em todas as áreas, de software a hardware.” Mas o horizonte não pára nas fronteiras nacionais. “Em breve, queremos mapear outros países africanos que precisam do nosso serviço. Gostaríamos de estar pelo menos em mais dois países. A África do Sul e Angola, que acreditamos ter muito potencial.”

A frase final é de quem já não tem dúvidas sobre o caminho. “Não vamos parar até sermos uma das melhores empresas em África. E mostrar que é possível uma empresa de Moçambique chegar a este nível.”

Edilson Alberto tem 22 anos.

Fonte: Entrevista exclusiva Kabum Digital, Junho 2026.

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