Fuga de cérebros em Moçambique, causas e consequências

Mauro Banze

Há anos que Moçambique é marcado por um crescimento do sector da tecnologia onde indivíduos encontram uma forma rápida de resolver os problemas locais.

Falamos aqui de mentes brilhantes que estiveram em frente de desenvolvimento de aplicativos, websites, serviços digitais, algumas premiadas e outras não, que mostraram que é possível sonhar com um moçambique digital e ponto de referência no uso da tecnologia para desenvolvimento e facilitar a vida, mas, passado um tempo viu-se a morte destas soluções e a migração das mentes para outras terras.

De um modo geral, a migração acontece quando há algum tipo de insatisfação desencadeada na região de origem, seja ela pessoal ou ocasionada por fatores externos, como a falta de oportunidades e pobreza extrema. 

No caso da fuga destes cérebros brilhantes, não há muita diferença,  a lista das causas inclue a pouca aposta dos moçambicanos nas soluções apresentadas ainda que gratuitas, falta de um plano concreto de financiamento que é marcado por negligência e burocracias das entidades responsáveis por dar a validação, e a falta de infraestrutura que apoie de forma forte estas inovações e os seus intervenientes.

Só para se ter noção, em 2014, foi inaugurado o Parque de Ciencias e Tecnologias de Maluana, no entanto, o espaço ainda não tem tido o devido destaque no seio da comunidade dos TI, chegando a ser referenciado como um elefante branco,  expressão usada de forma crítica e irônica para indicar alguma coisa que é valiosa e dispendiosa mas que não possui qualquer utilidade, pois a instituição não está efectivamente a desenvolver a investigação científica como almejava-se, algo que o para o José Nhampossa, administrador para o pelouro de Ciência, Tecnologia e Inovação do Parque, em entrevista para Diário Económico, poderia ser ultrapassado com um “empurrãozinho” de 20 milhões de dólares, que poderiam melhorar a face do Parque num intervalo de três anos e até colocá-lo no patamar dos melhores de África em 2030.

Outro ponto, que tem causado a migração é o número ilimitado de empresas que veem a necessidade de ter na sua equipe funcionários formados em tecnologias de informação. Contando-se com os dedos de uma mão as empresas em que um formado na área pode actuar, faz com que após atingido a sua contribuição numa delas, caso consiga, no final comece a focar em empresas internacionais na busca por uma competitividade e fortalecimento do seu rendimento e da carreira. 

A verdade é uma e dolorosa, a fuga de cérebros têm sido uma constante e, uma das grandes consequências é a impossibilidade de um dia moçambique tornar-se referência quando se trata de inovação e impacto local, pois os cérebros que deviam o fazer estão actuando fora do país e fortalecendo outras regiões, e os que ficam, por várias vezes dependem de serviços extras para manter as contas em dia.

Kabum Digital - Revista_33
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