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Jovem amplia iluminação de Sofala com paineis solares


Jovem amplia iluminação de Sofala com paineis solares

A localidade de Chonja, em Sofala, centro de Moçambique, ainda ressente-se da falta de cobertura eléctrica. Em resposta a esta realidade, o jovem Manuel da Costa Neto, formado em Engenharia Electrónica e de Telecomunicações, escolheu a região para lançar o seu primeiro projecto de sistema de energia solar.  

Trata-se de um sistema com capacidade para fornecer iluminação a cerca de 10 residências, assumindo que cada uma não utilize electrodomésticos de alto consumo energético, como, por exemplo, congeladores que gastam mais de 30 kW/h ou máquinas de lavar roupa em uso constante.  

Sendo uma comunidade em desenvolvimento, a solução adapta-se à realidade local, uma vez que Chonja é uma área rural em crescimento. Isto significa que ainda não se faz uso de electrodomésticos de grande porte, estando as necessidades da comunidade resumidas ao abastecimento de água, carregamento de telefones e rádios de pequeno porte, iluminação e alimentação de televisões, segundo explica o jovem.  

Por motivos familiares, Manuel da Costa começou a frequentar Chonja em 2023. Uma das dificuldades enfrentadas era o acesso à energia eléctrica, o que o obrigava a levar um inversor portátil e ligá-lo à bateria de um automóvel para obter condições eléctricas básicas.  

Contudo, uma grande desvantagem desta solução era o facto de ser necessário considerar o nível de combustível do carro para garantir a viagem de regresso.  

“Foi aí que comecei a pensar em maneiras de implementar condições básicas de energia eléctrica em Chonja, tanto para uso pessoal como comunitário”, relata.  

Com este sistema, Manuel almeja facilitar a vida das pessoas da comunidade, permitindo que actividades como o transporte de água possam ser automatizadas, tornando processos deste tipo menos extenuantes, mais rápidos e eficientes.  

Da vela ao candeeiro eléctrico

A iluminação também será impactada, visto que as principais fontes de luz na localidade ainda são o petróleo e velas de cera. Agora, existe a possibilidade de instalar candeeiros eléctricos.  

Para além da influência das suas visitas à comunidade, a escolha de Chonja para a instalação do projecto baseou-se também no alto nível de incidência solar, que alcança uma média de 4500 Wh/m², sendo, por isso, uma opção conveniente.  

“A minha família possui uma quinta em Chonja, onde havia necessidade de energia eléctrica para atender a algumas tarefas quotidianas. O projecto acabou por evoluir, e hoje alimenta duas bombas de água que distribuem água de dois poços à comunidade local”, revela.  

A implementação deste projecto trouxe consigo desafios, como os elevados custos do material necessário. Tal levou Manuel a perceber a importância de criar a Kinesis, uma empresa de procurement de material eléctrico para sistemas fotovoltaicos (ainda em fase de planeamento).  

“Consegui adquirir algum material a nível local, mas, devido aos custos elevados de certos componentes, fui levado a importar e, por vezes, procurar maneiras de adaptar o que estava disponível para concluir o projecto.”  

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Explorar a energia solar com Elon Musk como fonte de inspiração

O sistema de energia solar instalado em Chonja é apenas uma demonstração da paixão de Manuel da Costa Neto por esta tecnologia. 

Nesta aventura, uma das suas maiores fontes de inspiração é Elon Musk, aliado à frase: “A energia solar é a maior fonte de energia disponível e pode resolver os problemas globais de energia e mudança climática”. A sua missão é mostrar que Moçambique é ideal para aproveitar essa solução.  

“Existe uma relevância crescente da energia solar como solução sustentável, o que é altamente aplicável ao contexto de Moçambique, onde o sol é abundante e a necessidade de fontes de energia mais limpas e acessíveis é urgente.”  

Para Neto, este é um projecto que deve ser replicado noutras áreas de Moçambique sem acesso a energia eléctrica, garantindo que a electricidade seja uma realidade para todos. Contudo, ele destaca a necessidade de um bom financiamento e da mão-de-obra certa.  

Com esforço e persistência, somos capazes de superar qualquer desafio

O projecto fez Manuel perceber as dificuldades e desafios envolvidos em dimensionar e executar um projecto de engenharia, desde os aspectos técnicos aos sociais e comerciais. “Somos capazes de superar qualquer desafio. Apesar de vivermos num país em desenvolvimento, podemos, sim, ultrapassar as adversidades e evoluir como sociedade”, afirmou.  

Num contexto em que Moçambique depende maioritariamente de fontes de energia hídrica, que, devido às mudanças climáticas e períodos prolongados de seca, enfrentam dificuldades, Manuel não considera a energia solar um substituto das soluções actuais, mas sim um complemento.  

“A opção mais viável e prática seria a adopção de uma rede eléctrica híbrida que, se implementada, poderia minimizar e até eliminar o défice de fornecimento de energia eléctrica em certas áreas de Moçambique”, concluiu.

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